SÃO PAULO - Diante de um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dentro das expectativas em setembro, com um resultado pressionado principalmente pelos alimentos, os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) mais líquidos seguem em queda na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F)

SÃO PAULO - Diante de um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dentro das expectativas em setembro, com um resultado pressionado principalmente pelos alimentos, os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) mais líquidos seguem em queda na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). O IPCA apresentou alta de 0,45% em setembro, acima da inflação de 0,04% de um mês antes. Em 12 meses, o avanço foi de 4,70%, superior aos 4,49% dos 12 meses imediatamente anteriores. Os produtos alimentícios reverteram a deflação de 0,24% em agosto e avançaram 1,08% em setembro, contribuindo com 0,24 ponto percentual para o resultado do índice no mês. Na BM&F, há pouco, o DI com vencimento em janeiro de 2013 recuava 0,01 ponto percentual, para 11,80%, enquanto o contrato do início de 2012 cedia 0,04 ponto, a 11,40%. Além disso, o DI com vencimento na abertura de 2011 mantinha a taxa de 10,65%. Já na ponta mais longa da curva de juros, o DI de abertura de 2014 subia 0,02 ponto, a 11,76%, enquanto o de janeiro de 2015 avançava 0,04 ponto, a 11,73%. O analista econômico da Mercatto Investimentos Gabriel Goulart assinala que o IPCA veio em linha com as expectativas e que se, por um lado, não se sabe até quando os alimentos irão pressionar a inflação, de outro, a alta do índice está concentrada nesse grupo. "No geral, a indicação do IPCA é ligeiramente positiva, mas não é determinante. De toda forma, o número da inflação dos alimentos voltou a um patamar não confortável, diferente da dinâmica dos últimos três meses", pontuou. Em sua avaliação, os juros básicos brasileiros serão mantidos ao longo do primeiro semestre e, embora seu cenário básico corresponda a Selic em 11,75% ao fim de 2011, Goulart acredita que as chances de aumento ou de redução dos juros seguem iguais neste momento. Para o estrategista-chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno, com o grupo alimentação retornando para um patamar positivo, a expectativa é de que a inflação anual persista em trajetória ascendente até o fim do ano. "Isto, no entanto, não deve alterar a visão do Banco Central quanto ao cenário prospectivo de inflação, já que a expectativa é de que a inflação volte a recuar no começo do ano que vem dado que o choque de oferta de produtos agrícolas ocorrido no início deste ano não deverá se repetir. Assim, continuamos trabalhando com um cenário onde a Selic permanecerá estável por um período de tempo superior ao visto no passado", comentou. Na gestão da dívida pública, o Tesouro realiza leilão de venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN), Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F). (Beatriz Cutait | Valor)

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