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IPCA vai chegar aos 4,5% em 2009, diz Meirelles

É viável trazer a inflação para 4,5% em 2009. A afirmação é do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, que participou ontem de um evento com investidores internacionais em Nova York.

Agência Estado |

"A queda recente da inflação corrente e das expectativas reforça que é viável trazê-la de volta à meta em 2009", disse, acrescentando que a mudança nas expectativas mostra a credibilidade do BC. "A única forma de ver que um BC está comprometido é ver expectativas de inflação caindo. Com isso, o custo da política monetária é menor."

Meirelles, que foi um dos convidados de um evento na Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos na cidade, ressaltou que a projeção do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2008 caiu, segundo a pesquisa Focus divulgada ontem, de 6,45% para 6,44%. Para 2009, porém, a projeção mantém-se em 5%.

"Já existem sinais de que a política monetária começou a influenciar as expectativas de inflação", disse o presidente do BC. Esse fato, reiterou, também ilustra que a economia do País desfruta dos benefícios da estabilidade. O centro da meta da inflação medida pelo IPCA para este ano e para o ano que vem é de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima.

Dólar

Meirelles reafirmou que o BC está comprometido com a meta de inflação e não tem meta para a taxa de câmbio. "O BC tem compromisso de não influenciar a tendência do mercado de câmbio", afirmou. O presidente enfatizou, no entanto, que o nível de reservas internacionais permite ao BC enfrentar questões de volatilidade no mercado de moedas, se necessário.

Meirelles enalteceu, ainda, a condição que o Brasil alcançou de credor externo líquido, com o setor público credor em moeda estrangeira. "Trata-se de uma mudança estrutural, fundamental em relação ao passado de vulnerabilidade fiscal e externa", afirmou.

O presidente do BC disse que, além de inflação na meta em 2009, a expectativa é de câmbio flutuante e balança de pagamentos mais saudável que no passado. Meirelles ponderou que está ficando claro que pode haver desaceleração global, mas acrescentou que o Brasil está em melhor condição para enfrentar os cenários benigno e "menos benigno". Ele acrescentou, ainda, que a atividade econômica do País permanece robusta.

O presidente do Banco Central observou que o País desfruta de crescimento estável, sem arrancadas e paradas repentinas, e tem sido alimentado pela demanda, que tem de desacelerar.

"A estabilidade do crescimento tem sido alimentada pelo aumento do emprego formal e renda real maior do trabalhador", completou Meirelles.

Uma vez com crescimento estável, citou o presidente, a demanda precisa desacelerar. Ele mostrou tabelas indicando que setores sensíveis ao crédito, como vendas de veículos, cresceram a taxas maiores que 22% nos primeiros três meses deste ano.

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