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IPCA fecha 2008 com alta de 5,9%

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve variação de 0,28% em dezembro, abaixo da taxa de novembro (0,36%), e fechou o ano com alta de 5,9%, maior taxa desde 2004, quando a inflação anualizada ficou em 7,6%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Davi Franzon, do Último Segundo |

 

Na comparação com 2007, o IPCA teve alta de 1,44 ponto porcentual. Mesmo assim, o índice ficou dentro da meta estabelecida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que era de 4,5%, com margem de dois pontos para cima ou para baixo. O IPCA é o índice oficial de inflação no Brasil.

No texto de divulgação do IPCA, o IBGE destaca que, em 2007 e 2008, houve uma tendência de alta na inflação, contrariando uma tendência observada de 2002 a 2006. "Os resultados evidenciam alta mais concentrada no primeiro semestre do ano, seguindo pressões dos produtos alimentícios já ocorridas no segundo semestre do ano anterior", diz o instituto.

Em 2008, os preços dos alimentos aumentaram 11,11%, acima dos 10,79% de 2007, e, segundo o IBGE, representaram a maior alta dentre os grupos que compõem o IPCA. Já os produtos não-alimentícios subiram 4,46%, também acima de 2007, quando a alta havia sido de 2,83%.

Apesar disso, o documento do IBGE aponta que o peso dos preços dos alimentos na inflação veio diminuindo nos últimos meses. Em dezembro a alta destes produtos foi de 0,36%, ante 0,61% em novembro.

Perspectiva é de queda

O IPCA divulgado hoje ainda é reflexo do período de maior oferta de crédito e, consequentemente, um consumo aquecido de 2008. Na avaliação de economistas, nas próximas análises deve ser detectada uma desaceleração do índice, quando será registrada a queda real no consumo e o impacto da retração do crédito sobre o mercado consumidor.

Na opinião do professor do Laboratório de Finanças da Fundação de Administração (FIA), Keyler Carvalho Rocha, os números dos demais índices inflacionários já indicam uma redução do IPCA nos próximos meses.

Rocha destaca a deflação registrada no Índice Geral de Preços ¿ Disponibilidade Interna (IGP-DI), que ficou em 0,44% em dezembro de 2008. "Essa queda do IGP-DI já é um sinal da futura retração do IPCA. O primeiro impacto é no atacado. Nos próximos meses, a retração deve chegar ao custo de vida", avaliou o professor.

Além do IGP-DI, que registrou sua maior queda desde março de 2006, quando a deflação foi de 0,45%, o professor avalia que o cenário para um IPCA menor ainda é composto pela retração de 0,13% no Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) durante o mês de dezembro.

Para Keyler, o consumidor não sentirá os impactos de uma inflação menor rapidamente, ou seja, uma queda no custo de vida. O professor lembra que os efeitos de uma retração só ocorrem meses após a divulgação do índice. Em sua avaliação, a população poderá sentir um alívio no bolso no decorrer de 2009.

Controle de metas

Com a divulgação do IPCA nesta sexta-feira, a avaliação é de que o governo federal não terá dificuldade para manter a inflação de 2009 dentro do centro projetado de meta, que é de 4.5%. "Em 2008, principalmente no primeiro semestre, o governo enfrentou sério problemas para segurar a inflação. Crédito e consumo foram controlados por meio da taxa básica de juros (Selic). Neste ano, não teremos essa dificuldade. Os índices inflacionários já indicam que o percentual estipulado pelo BC será mantido sem dificuldades", explicou Keyler Rocha.

Para o economista da Associação Comercial de São Paulo, Emilio Alfieri, após a divulgação do IPCA desta sexta, o Banco Central pode ratificar um a redução d taxa básica de juros em 0.25 ponto percentual, num corte tímido. Para Alfieri, os números da inflação e a dificuldade para captação de crédito pelo setor produtivo já justificam um corte 0,5.

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de 1 a 40 salários mínimos e abrange nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e de Brasília. Para cálculo do índice do mês de dezembro foram comparados os preços coletados de 27 de novembro a 29 de dezembro com aqueles vigentes de 30 de outubro a 26 de novembro.

 

Veja o comentário do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre o IPCA:

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