Inflação oficial no País foi de 0,04% no mês, mantendo a tendência de estabilidade; no ano, taxa acumulada está em 3,14%

A inflação oficial do País, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o mês de agosto em 0,04%, próximo à taxa de julho quando o indicador ficou em 0,01%. Com esse reultado, a taxa divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é a menor para meses de agosto desde 1998. Naquele ano, o IPCA de agosto foi de -0,51%.

No ano, a inflação acumulada está em 3,14%, acima dos 2,97% referentes a igual período de 2009. Considerando os últimos 12 meses, o IPCA passou para 4,49%, abaixo do acumulado nos 12 meses imediatamente anteriores (4,60%). Em agosto de 2009, o índice havia sido de 0,15%.

Os alimentos, com variação de -0,24%, continuaram em queda, mas menos intensa do que em julho, quando o resultado havia sido de -0,76%. Dessa forma, a contribuição do grupo alimentação e bebidas em agosto foi -0,05 ponto percentual, enquanto havia sido de -0,17 ponto percentual no mês anterior.

Na avaliação da consultoria LCA, o grupo alimentação e bebidas vai apresentar trajetória de alta nos meses finais de 2010, o que é comum neste período do ano. Mas segundo a consutoria, essa aceleração naõ deve repetir o ritmo forte verificado entre janeiro e abril. "Destacamos que este resultado do IPCA de agosto, ao que tudo indica, tenha sido a última leitura em deflação deste grupo no ano. O resultado de agosto reforça a expectativa de uma alta do IPCA em 2010 abaixo de 5%", afirma a consultoria em relatório.

Inflação oficial

Variação nos meses de agosto ( em %)

Gerando gráfico...
Fonte: IBGE

Enquanto no mês de julho os alimentos tiveram queda em todas as regiões pesquisadas, em agosto três delas mostraram movimento de alta: Goiânia (0,29%), Rio de Janeiro (0,17%) e São Paulo (0,14%). Ainda assim, vários produtos ficaram mais baratos em agosto, por exemplo a batata-inglesa (-22,40%) e o feijão carioca (-11,23%), entre outros.

Alguns alimentos, porém, mostraram sinais de alta, liderados pelas carnes, que, com variação de 2,11% em agosto, foi o item de maior contribuição no índice do mês: 0,05 ponto percentual. Também tiveram alta itens como o óleo de soja (2,67%), o pão francês (1,08%), o frango (0,82%) e a refeição fora do domicílio (0,55%), entre outros. Os produtos não alimentícios passaram de 0,24% em julho para 0,12% em agosto.

Educação e transporte

O grupo educação, que passou de -0,03% em julho para 0,44% em agosto (maior alta entre os grupos), refletiu a realidade do segundo semestre do ano letivo. Os colégios (ensino formal) variaram 0,33%, enquanto os cursos diversos (informática, idioma etc.) apresentaram alta de 0,97%.

As despesas com habitação diminuíram o ritmo de alta, passando de 0,54% para 0,23%, em razão basicamente da energia elétrica, que, após ter subido 1,17% em julho, refletindo o resultado de 14,07% registrado na região metropolitana de Curitiba, apresentou variação de 0,11% em agosto.

Em transporte, a variação passou de 0,08% para -0,09%, de julho para agosto. Nesse grupo foram as passagens aéreas que exerceram influência para baixo, com variação de -10,32%, ao passo que em julho haviam subido 9,15%. Em contraposição, subiram os preços dos combustíveis (de -0,02% em julho para 0,97% em agosto). O litro do etanol passou a custar 4,12% a mais, quando já havia subido 1,52% em julho. Quanto à gasolina, ficou 0,75% mais cara após a queda de 0,13% de julho. Os ônibus urbanos, por sua vez, ficaram com -0,38% em agosto.

Nas despesas pessoais (0,54% em julho e 0,20% em agosto), o menor aumento de preços de um mês para o outro é atribuído, principalmente, ao cigarro (1,14% em julho e 0,07% em agosto), além dos salários dos empregados domésticos (0,41% em julho e 0,03% em agosto).

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.