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IPCA deve superar 6,5% em 12 meses até novembro, diz economista

SÃO PAULO - A inflação medida pelo Índice de preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deverá continuar acelerando até janeiro, podendo superar o teto da meta do governo já no mês que vem. A expectativa é do economista-chefe do Pátria Investimentos, Luís Fernando Lopes, que cita a pressão gerada com a alta de insumos importados, que ficaram mais caros com a valorização recente do dólar e têm elevado os índices de preços no atacado.

Valor Online |

O IPCA apresentou alta de 0,45% em outubro, com aumento de 6,41% em 12 meses, conforme dado divulgado hoje. Lopes acredita que já em novembro o índice deve testar o teto da meta de inflação estabelecido para este ano, de 6,5%.

Na avaliação de Lopes, o saldo da crise para o Brasil é "brutal" em termos de inflação, pois tem levado inicialmente a uma desaceleração da oferta, e uma desaquecimento posterior da demanda, a partir do primeiro trimestre de 2009.

Além da pressão cambial nos custos de produção, Lopes lembra que o setor privado foi o primeiro a sofrer no país com a contração do crédito gerada pela crise financeira internacional, o que já vem resultando em revisão dos planos de investimento.

Para lidar com esse cenário, o economista acredita que não bastará ao BC mirar a meta de inflação. "Isso não funciona em um ambiente tenso como agora", diz, sugerindo que a autoridade monetária terá de continuar trabalhando para reduzir a pressão do câmbio e o problema de contração de crédito, com os instrumentos que já está usando. "Fará mais do mesmo", diz.

O trabalho, no entanto, não trará resultados no curto prazo, apenas evitará uma piora do cenário doméstico. "Isso já é uma vitória", afirma. Assim, os efeitos da luta do BC para aliviar as tensões locais com liquidez e pressão inflacionária cambial só aparecerão no segundo semestre do ano que vem.

Com esse quadro incerto e pesado, Lopes aposta que o BC não fará novos aumentos da Selic até o primeiro semestre do ano que vem. "Na verdade, o plano de vôo do BC, se é que há algum, é manter esse juro (13,75%) até o final de 2009", diz. Segundo ele, a possibilidade novos aumentos está condicionada à hipótese de um novo agravamento da crise internacional, que resultasse em nova saída de capital e maior desvalorização cambial.

Para Lopes, embora a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, tenha transmitido a preocupação com a inflação, sobretudo para controlar as expectativas, o documento deixa claro que um ambiente de incertezas, com problemas sérios de crédito e câmbio como o atual "desautoriza o regime de metas" no momento.

O economista também acha que o otimismo do governo em projetar alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 4% no ano que vem é uma "obrigação cívica" e que o aumento do PIB deverá ficar entre 3% e 3,5%, considerando já o efeito independente da atividade acelerada de 2008, que conduz a uma taxa de 2,5% naturalmente.

Essa desaceleração frente a 2008 será, segundo ele, comandada pela redução da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), à piora do setor externo e das relações de troca comercial, além de redução do poder de consumo das famílias que sofrerão com o aumento da inflação no ano que vem.

Para ele, mais preocupante que 2009, que carrega um pouco da aceleração deste ano, é o comportamento da economia em 2010, quando o crescimento pode ser zero se não houver retomada de investimentos.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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