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Investment grade dá ao Brasil mais chance de superar crise, diz Fitch

SÃO PAULO - A crise no mercado mundial certamente terá seu efeito sobre o Brasil. A diferença é que, desta vez, o impacto será muito menor do que foi em crises passadas, disse hoje em São Paulo a diretora de Rating Soberano da agência de risco internacional Fitch Ratings, Shelly Shetty.

Redação com Valor Online |

Acordo Ortográfico Para ela, o Brasil não se tornou grau de investimento em sua agência por acaso e, embora essa classificação não signifique imunidade a crises, nesse patamar se reconhece que os países têm mais chances de dar a volta por cima do que em outros níveis de risco.

Segundo ela, apesar da crise atual, o ano tem sido relativamente bom para o Brasil. "Começamos o ano achando que a economia brasileira estava bem, mas que faltava alguma coisa (para o grau de investimento). Mas mudamos nossa opinião em junho, e concedemos o grau ao país, muito em função de seus fortes fundamentos macroeconômicos", afirmou a executiva.

"Acreditamos, ainda, que o grau de investimento não é o objetivo do país, mas o primeiro passo para atingir níveis de rating ainda melhores", completou.

Na avaliação de Shetty, a tendência vista na economia do país, de comprometimento com metas macroeconômicas e controle da dívida e da inflação, deve se manter constante. "Isso é importante porque torna o país mais resistente a crises", explica a executiva.

Outro fator que, no momento atual de crise, beneficia o Brasil e o torna menos vulnerável ao contágio, afirma Shetty, é o menor nível de dependência da economia local em relação às exportações. Isso, aliado ao grande mercado consumidor interno, explica a executiva, deixa menos espaço para que a crise afete o mercado nacional de forma mais contundente, embora ela acredite que o país deverá enfrentar dificuldades tantpo por conta da queda nas exportações como por conta da redução no consumo nacional, em decorrência da crise.

A influência mais direta, porém, virá da relação econômica direta que o Brasil tem com os EUA. "O portfólio dos EUA no Brasil, tanto em investimentos como em aplicações diretas, tem sido muito forte recentemente", diz Shetty.

No campo do crédito, ainda que acredite que haverá uma redução na oferta de recursos para o país, a executiva afirma que a situação atual é favorável. "Uma das formas pelas quais o contágio afetará os emergentes será pela diminuição do crédito. A boa notícia para o Brasil é que ele tem um sistema bancário bem diversificado e com volume suficiente para contrapor melhor o problema", explica.

Ela reconhece, portanto, que projeta menores taxas de crescimento para a economia brasileira nos próximos trimestres, o que se refletirá na demanda interna e, de uma certa forma, em toda a atividade econômica do país. "Mas o Brasil hoje não é o Brasil de 2002 ou de 2003", ressalta.

Shetty conclui afirmando que o Brasil tanto tem condição de ver elevado seu rating em dois anos, como de vê-lo ser rebaixado. Segundo ela, tudo depende do dinamismo da economia local e do que será feito no sentido de obter uma nota mais alta. "Com o grau de investimento, o Brasil entrou num nível de competição mais elevado e para conseguir melhorar sua nota é cada vez mais difícil", afirmou.

Para ela, há dois desafios principais que o país deve superar em busca de uma nova elevação em seu rating: acelerar a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto, que segundo ela é muito baixa; e melhorar o nível de endividamento interno do governo. No primeiro caso, ela identifica como sendo a raiz do problema o baixo nível de investimento no país. Ela cita ainda como entraves à competitividade brasileira a dificuldade de se abrir empresas, a alta carga tributária, a falta de investimentos em infra-estrutura e relacionadas à legislação trabalhista.

Segundo Shetty, o Brasil poderia perder seu grau de investimento num horizonte de dois anos caso descuide do gerenciamento político da economia, se não realizar reformas necessárias, levando o país de volta a um cenário de crescimento baixo e juros altos.

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