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Investimentos ganham espaço no orçamento das famílias brasileiras

Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), base de cálculo da inflação, mostra paridade entre gastos com transporte e alimentação

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |

Os investimentos ganharam espaço no orçamento das famílias brasileiras. O dinheiro destinado a compra de imóveis, reformas e outras aquisições respondeu por 5,8% da despesa doméstica entre maio de 2008 e o mesmo mês de 2009, de acordo com a mais nova Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga hoje. O peso da compra de ativos nas despesas dos lares é 20% maior que a participação relatada na radiografia anterior do IBGE - a POF 2002/2003 mostrava participação de 4,8% deste item no orçamento familiar.

"Um ponto percentual partindo de uma base da ordem de 4% é um aumento expressivo", avalia a coordenadora de Emprego e Renda do IBGE, Márcia Quintslr. A parcela dos investimentos cresceu ao mesmo tempo em que a participação dos gastos correntes recuaram de 93,3% para 92,1% do orçamento das famílias, uma queda pouco expressiva no período analisado. Pagamentos de impostos, contribuições sindicais, pensões, mesadas, doações, entre outras despesas, mantiveram a fatia no gasto total das famílias (10,9%), assim como a quitação de empréstimos e financiamentos (2,1%).

Com a medida atualizada de cada item no orçamento familiar, o IBGE remonta os índices de preços. Os produtos e serviços que ganham mais espaço nos lares aumentam automaticamente a influência nos indicadores. Ponto de partida para o cálculo da inflação, a POF mostra como e quanto as famílias gastam. A pesquisa revela qua uma família brasileira gasta, em média, R$ 2.626,31 por mês. No Sudeste, o valor sobe para R$ 3.135,80 - quase o dobro do que é despendido no Nordeste, que têm a menor despesa (R$ 1.700,26).

Alimentação perde peso, transporte ganha

A estabilidade de preços dos alimentos, segundo o IBGE, pode explicar por que os gastos com comida encolheram no orçamento das famílias nos últimos seis anos, de 17,1% para 16,1% na média nacional.

Por outro lado, os preços crescentes dos combustíveis e o maior acesso da população a compra de carros aumentou o peso do transporte no bolso dos brasileiros, de 15,2% para 16%. Resultado: os brasileiros estão gastando o mesmo com alimentação e transporte - algo inimaginável na década de 70, quando pesquisa semelhante do IBGE mostrava que a parcela de despesas com comida (30%) superava em três vezes o gasto com transporte (11%) no consumo das famílias.

A reviravolta dos pesos de alimentação e transporte nas despesas familiares nos últimos 35 anos não se repete no quesito moradia. A família brasileira continua gastando com habitação mais do que com qualquer outra coisa. O grupo responde por 29,3% do orçamento, o mesmo verificado na POF anterior. Somente o aluguel consome 12,8% do total de despesas.

O gerente da POF, Adilson Nascimento, destaca que o acesso a energia elétrica e telefonia provocou um impacto muito maior dos gastos com habitação no orçamento das famílias da zona rural. "As mudanças são mais sentidas na área rural", diz. Entre a pesquisa realizada pelo IBGE em 1975 e a nova POF, o peso do grupo nas despesas de consumo saltou de 17,8% para 30,6% na área rural. Também no campo ficou mais evidente a diminuição da educação no consumo das famílias. 

Parcela da educação nas despesas despenca 

A parcela dos gastos dos brasileiros com educação, por sua vez, recuou de 4,1% para 3% - uma significativa queda. No campo, a parcela do consumo gasta com cursos e afins é metade (1,2%) do que nas cidades (3,2%). "Não temos ainda explicações claras para estas mudanças. Nesta primeira etapa, apresentamos os números para depois, em divulgações posteriores, detalhar melhor as novidades da POF", afirma a pesquisadora do IBGE.

Se por um lado os gastos com estudo diminuem nas despesas domésticas, por outro os anos de escola ditam o tamanho do  orçamento. O IBGE apurou que nos lares onde ao menos uma pessoa chega ao nível superior (seja este completo ou não), o orçamento médio é de R$ 4.296, enquanto nas casas onde não há quem tenha tal escolaridade a cifra é de R$ 1.659. A diferença reflete o acesso à escolaridade por pessoas de maior renda.

Cada um a seu jeito

Pobres e ricos investigados pelo IBGE gastam o mesmo com saúde, mas cada qual a seu jeito.  Tanto para a classe de renda mais baixa da pesquisa, de até R$ 830, como para as famílias que recebem mensalmente mais de R$ 10.375,  os gastos com saúde respondem por cerca de 5,5% das despesas totais das famílias. No caso dos primeiros, porém, a maior parte do dispêndio com saúde (76%) é destinada a compra de remédios. Já as famílias com a renda mais alta pagam mais por planos de saúde.

 O IBGE mostrou mais uma vez, assim como nas pesquisas anteriores, que o tamanho da renda influencia drasticamente o perfil do orçamento. Famílias na menor faixa de renda analisada consomem três vezes mais o orçamento com a compra de alimentos do que as do topo da pirâmide social. Já no caso dos transportes acontece o oposto: a parcela de gastos dos menos favorecidos (9,7%) é bem inferior à fatia dos que recebem mais renda (17,7%). A aquisição de veículos responde por 9,4% entre famílias da faixa mais alta e por 2,4% entre os mais pobres.

 

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