BRASÍLIA - O governo vê investimentos robustos fazendo a diferença e atenuando a desaceleração do ritmo de crescimento da economia em 2009 e mantendo aquecido o mercado interno. A previsão é de que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicativo dos investimentos, cresça entre 10% e 12% sobre 2008.

O governo também aposta que, apesar das perspectivas de recessão mundial, as exportações brasileiras reduzirão bastante o ritmo, mas ainda crescerão 2% no ano que vem.

Um auxiliar direto do ministro da Fazenda, Guido Mantega, comentou hoje que esses dois pontos levam o governo a divergir das expectativas mais sombrias do mercado financeiro sobre o desempenho econômico interno no próximo ano.

Eles foram a base para a revisão feita ontem, quando o governo anunciou que espera uma variação real do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5% em 2009, abaixo da expectativa anterior de 5% para o período. Já o mercado financeiro prevê alta de 3,65% para o PIB no próximo ano, conforme a última pesquisa Focus elaborada pelo Banco Central (BC).

A diferença de nossa visão sobre o mercado é que estamos vendo um cenário de muitos investimentos, principalmente para a infra-estrutura, disse a fonte. São investimentos públicos e privados, bem robustos, para 2009, prosseguiu. Só a Petrobras deve investir algo como 1,5% do PIB, acrescentou.

Ele explicou que a redução na estimativa de expansão do PIB é realista e tem em vista os efeitos de retração a médio prazo que os juros altos praticados pelo BC surtirão sobre a atividade produtiva. Mesmo assim, a atividade interna deve continuar liderando o crescimento.

No caso das exportações, a fonte consultada comentou que não há como ignorar a retração na economia global, decorrente da crise financeira iniciada em 2007 com o subprime americano. A recessão afetará o nosso PIB porque as exportações vão desacelerar. Já estão desacelerando este ano, e agora é a demanda interna que impulsiona a economia, não o comércio externo, disse a fonte, durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Conselhão) que acontece no Palácio do Planalto.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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