Os investimentos no mundo sofrem duras quedas e podem desabar em 2009. Dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) ontem apontaram que os investimentos diretos no planeta caíram em US$ 400 bilhões apenas em 2008.

O Brasil conseguiu se livrar da queda que atingiu os países ricos. No País, os investimentos cresceram 20,6%. Mas as projeções indicam que, neste ano, a queda deve ser ainda mais forte e o fluxo de investimentos ao País deve ser afetado. O cenário mais pessimista prevê crescimento apenas em 2012 no mundo.

A Conferência da ONU para Comércio e Desenvolvimento estimou que o fluxo de investimentos no mundo caiu em 21%, totalizando US$ 1,4 trilhão em 2008. Nos países ricos, a queda foi de 33%. Dois fatores devem motivar a queda no fluxo de investimentos em 2009: a redução nos lucros das empresas e a escassez de crédito. As 500 maiores multinacionais tiveram perda de lucros de 22% em 2008 e uma queda no valor de suas ações de 40%.

"O ano de 2008 marca o fim de um ciclo de investimentos internacionais iniciado em 2004", disse a entidade, que apontou que em 2007 o fluxo bateu recorde de US$ 1,8 trilhão. "Os investimentos podem diminuir ainda mais em 2009 na medida em que as consequências da crise terão impacto nos gastos com investimentos das companhias transnacionais."

Se em 2008 o Brasil foi bem, o Pais não sairá imune em 2009. "Em 2008, a maior parte do impacto nos investimentos foi visto nos países ricos. Por isso, o Brasil continuou a receber investimentos, passando de US$ 34 bilhões para US$ 41,7 bilhões. Mas em 2009 o Brasil será afetado e não conseguirá repetir os volumes de 2008", afirmou o economista Masataka Fujita, autor do levantamento. "A crise está rapidamente se espalhando para economias em transição e em desenvolvimento", afirmou o estudo da ONU.

No Brasil, a queda nos investimentos ocorrerá por pelo menos dois motivos: a revisão dos planos de multinacionais e o menor interesse por minérios, commodities e matérias-primas. Em 2008, porém, o Brasil teve um crescimento de fluxos de investimentos superior ao da China, que cresceu 10%. Do total investido, o valor direcionado a fusões e aquisições de empresas no País foi de US$ 9,7 bilhões, crescimento de 13,6%. Mas em valores totais, os chineses ainda lideram, com um total de US$ 96 bilhões recebidos no ano.

Em alguns emergentes, a queda já foi sentida em 2008. A redução foi de 16% no México, que deixou de ser o líder e recebeu apenas metade que o Brasil. Na Turquia, a queda foi de 25%. Já nos países ricos, o impacto foi mais profundo. Na Itália, os investimentos caíram em 94%; na Alemanha, 49%. Na Holanda, a queda foi de 70%.

Os exemplos de cortes de projetos são inúmeros. A General Motors anunciou redução de investimentos não apenas nos Estados Unidos, mas no Brasil, Argentina e Tailândia. A francesa PSA interrompeu sua produção de carros na China e fará o mesmo na Espanha. A maior produtora de cimento do mundo, a Lafarge, vai cortar em 40% seus investimentos em 2009. No total, a União Europeia apresentou uma queda no fluxo de recursos externos de 30,7%, para US$ 557,4 bilhões, enquanto nos EUA houve diminuição de 5,5%, para US$ 220 bilhões. No Japão, a queda foi de 22,6%, para US$ 17,4 bilhões.

Na melhor das hipóteses, o fluxo de investimentos voltará a crescer em 2010. Mas um cenário mais equilibrado aponta para 2011. Já os mais pessimistas preveem retomada apenas a partir de 2012. Para a ONU, a situação ser uma oportunidade para os emergentes, no médio prazo, já que recebendo parte dos investimentos que iriam para outros países ricos. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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