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Investimento estrangeiro vai cair, prevêem analistas

A crise financeira internacional, que secou as fontes de financiamento e reduziu fortemente as perspectivas de crescimento, agora derruba as previsões de ingressos de Investimento Estrangeiro (IED), aqueles voltados para a produção, no Brasil. As previsões dos economistas do mercado financeiro para o fluxo de IED ao País em 2009 estão na média em US$ 26 bilhões, de acordo com dados colhidos pelo Banco Central.

Agência Estado |

Há uma semana, a previsão era de que esses investimentos chegariam a US$ 30 bilhões no próximo ano.

"As perdas que estão ocorrendo no mundo são generalizadas. Elas não estão mais restritas a bancos e atingem também as empresas, que vão sofrer mais por força da menor atividade econômica", afirmou o economista do Banco Real Cristiano Souza, lembrando que a maior parte dos ingressos de investimentos no Brasil é originada de países desenvolvidos, que devem entrar em recessão. "Em períodos de vacas magras, as empresas se ajustam para elevar a rentabilidade, colocam o pé no freio dos investimentos", acrescentou Souza, que está no grupo dos mais pessimistas e espera apenas US$ 20 bilhões de IED em 2009.

Para o professor da PUC-SP e especialista em contas externas, Antônio Corrêa de Lacerda, o principal fator que vai determinar a retração do IED no ano que vem é a escassez do crédito. Por isso, avalia, a queda nos investimentos deverá ser relativamente homogênea entre os diversos setores da economia brasileira.

"O que move o investimento global é o processo de fusões e aquisições, que representam 70% do IED no planeta. Isto tem muita correlação com financiamento. Diante da redução do crédito, essas operações tendem, de uma forma geral, a ser afetadas. Não vejo um setor que se destacaria em perda de IED no Brasil", afirmou Lacerda, que projeta ingressos de US$ 28 bilhões.

Embora esteja no grupo otimista e preveja fluxo de IED de US$ 35 bilhões em 2009, mesmo valor esperado para 2008, o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos das Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luiz Afonso Lima, avalia que alguns setores deverão ter menores investimentos com a crise. Segundo ele, os favoritos a perderem recursos são os vinculados às commodities e os mais sensíveis à oferta de crédito.

"Setores como indústria extrativo-mineral e de bens de consumo duráveis (como o automotivo) são candidatos a perderem fôlego", explicou Lima. Mas ele avalia que esta queda pode ser compensada por ganhos de outros setores, como de serviços e bens de consumo não duráveis e semi-duráveis (vestuário, alimentos e medicamentos). "O mix de IED deve sofrer alterações", disse.

O economista-chefe do banco WestLB, Roberto Padovani, também está no grupo dos mais otimistas em relação ao fluxo de IED. Mesmo assim, ele espera uma desaceleração significativa na comparação com 2008. "Dois motivos levarão a queda no IED: a piora nas condições de financiamento e a expectativa de desaceleração do consumo interno. Por isso, todos os investimentos serão revistos", afirmou. Para ele, que espera ingressos de US$ 30 bilhões, há uma dispersão muito grande das projeções e as mudanças devem ser abruptas.

O economista-chefe do banco BES Investimento, Jankiel Santos, avalia que, em um cenário de crescimento de 3% a 3,5% no Brasil em 2009, o IED deve fechar na casa de US$ 30 bilhões, portanto abaixo do previsto para 2008. Mas ele entende que não há motivo para preocupação do ponto de vista das contas externas, já que o déficit em conta corrente (que registra todas as transações de bens e serviços com o exterior) não deve ficar tão diferente. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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