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Mais de R$ 9 bilhões serão investidos em novos portos no Brasil nos próximos quatro anos. A conta é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e deverá integrar o mapeamento de investimentos em infraestrutura que a instituição está revisando.

Mais de R$ 9 bilhões serão investidos em novos portos no Brasil nos próximos quatro anos. A conta é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e deverá integrar o mapeamento de investimentos em infraestrutura que a instituição está revisando. O banco projeta crescimento superior a 200% nos investimentos totais do setor até 2013, com aportes de quase R$ 15 bilhões, que incluem a ampliação de portos já existentes no País. Com a retomada das exportações, o BNDES quer aumentar a concessão de financiamentos para o setor. A carteira de empréstimos nessa área não é tão expressiva quanto a de outros segmentos de logística, como o de ferrovias. Segundo o gerente do Departamento de Transporte e Logística da Área de Infraestrutura do BNDES, Dalmo Marchetti, 64% dos chamados investimentos firmes mapeados pelo banco deverão ser destinados à ampliação do atual parque portuário brasileiro. Em 2009, os portos brasileiros - que operam no limite de sua capacidade - movimentaram quase 733 milhões de toneladas de mercadorias. Portos públicos. As mudanças no marco regulatório do setor serão os principais desencadeadores dos investimentos. No final de 2008, o decreto 6.620 abriu a possibilidade de o País ter portos públicos (que movimentam cargas diversas) sob a administração do setor privado. Atualmente, as companhias docas estaduais monopolizam esse papel. Elas podem apenas arrendar terminais para operadores privados. Com a conclusão de um estudo da Secretaria Especial de Portos, o governo deverá licitar áreas onde investidores poderão erguer novos portos. Para Marchetti, os leilões deverão atrair investimentos e poderão superar dificuldades estruturais das companhias docas, cuja capacidade de investimento é limitada por grandes passivos ambientais e trabalhistas. "A ideia (do governo) é fortalecer as companhias docas na sua autossustentação, mas esse é um processo que ainda não está bem amarrado. Hoje, as companhias docas são empresas dependentes da União", diz Marchetti. Outro caminho que tem sido incentivado pelo governo é a criação de portos privativos, destinados ao escoamento de carga própria, que poderão integrar cargas de terceiros a uma pequena parcela de seu movimento. Recentemente, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) autorizou o Porto Sudeste, que a LLX do empresário Eike Batista constrói no Rio, a movimentar cargas de terceiros em até 36% do total. A LLX também constrói o Porto do Açu, no Rio, com características parecidas. Os dois projetos da LLX, cujo foco principal é o escoamento de minério de ferro, somam R$ 6,1 bilhões em investimentos e devem iniciar operação em 2012. O BNDES se tornou sócio da companhia, com aquisição de 3% do capital, por meio da BNDESpar. "Os portos privados são uma ousadia brasileira. Não é um modelo usual no mundo, mas é pertinente. Hoje, a gente lida com as dificuldades das companhias docas e é preciso endereçar os passivos. A indefinição sobre quem vai pagar as contas estrangula as docas, que não conseguem fazer o que é preciso. Essa ideia de transferir à iniciativa privada a função de administrador soluciona esse problema." Embora operadores do setor questionem o novo modelo regulatório e apontem inseguranças jurídicas que afastam investimentos, Marchetti avalia que a nova lei acabou com as indefinições da legislação de 1993, para desencadear os investimentos privados. Para ele, em vez de inviabilizar os portos públicos, a concorrência dos operadores privados obrigará as companhias docas a acelerarem os investimentos em gestão e produtividade. "Os portos privativos terão de arcar com todos os custos e ter volume e boa operação para se viabilizarem.

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