Após o exuberante ingresso de dólares em outubro, a situação se inverteu na primeira semana de novembro, quando houve saída líquida de capital estrangeiro do País. Dados apresentados ontem pelo Banco Central (BC) mostram que US$ 1,38 bilhão deixou o Brasil entre os dias 3 e 6 deste mês.

Foi a primeira semana com saldo negativo de dólares desde o início da cobrança de IOF nas aplicações de estrangeiros em ações e renda fixa, em 20 de outubro. Boa parte dos recursos deixou o País na terça-feira posterior ao feriado de Finados e pela via que concentra operações em bolsa e títulos, exatamente as que passaram a pagar IOF de 2% desde o dia 20.

O levantamento do BC mostra que a maior parte dos recursos deixou o País pela conta financeira, por onde saíram US$ 818 milhões na semana passada. Nessa conta são contabilizadas as transações envolvendo aplicações em ações e títulos de renda fixa, além de remessas de lucros por multinacionais e investimentos produtivos. “O movimento de apenas um dia, a terça-feira, dia 3, impactou o resultado da semana. Considero esse dia esporádico, já que o movimento de estrangeiros para a bolsa continua positivo. Deve ser alguma remessa de lucro ou a saída de investimento em renda fixa para cobrir algum prejuízo no exterior”, disse a diretora de Câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares. No dia 3, o fluxo financeiro concentrou a saída de US$ 1,27 bilhão.

Se excluído o movimento da terça-feira, a média diária de ingresso de dólares no fluxo financeiro - aquele que passou a ser taxado com o IOF - na semana passada ficou em US$ 150,7 milhões. O valor é 27,5% menor que a média observada nos últimos dez dias de outubro, período em que o IOF já estava valendo. Os números mostram que o efeito restritivo do imposto na entrada dos recursos continua surtindo efeito.

Para Miriam Tavares, o IOF é a principal explicação para a queda no ingresso de dólares. “Como dias antes da taxação havia a expectativa de que essa medida poderia ser anunciada, muitos estrangeiros anteciparam o ingresso de dólares para o Brasil, ajudando a inflar os números de outubro, e agora é de se esperar a redução da entrada desses recursos”, disse. “A tendência é continuar no azul, mas em ritmo mais ameno.”

A primeira semana do mês teve, ainda, déficit de US$ 569 milhões na conta de comércio exterior, já que a despesa para pagar as importações superou a receita com exportações. Analistas acreditam que a conta comercial pode ter novos déficits nas próximas semanas, já que a proximidade do Natal e o dólar baixo incentivam as importações e, ao mesmo tempo, o câmbio desfavorece a exportação de produtos brasileiros. Os números da primeira semana de novembro contrastam com os de outubro, quando o País recebeu US$ 14,59 bilhões, o segundo melhor resultado mensal da história.

RESERVAS

O BC também anunciou ontem que a compra diária de dólares realizada pela instituição no mercado à vista aumentou as reservas internacionais em US$ 507 milhões na primeira semana do mês.

A compra ocorreu mesmo com o fluxo cambial negativo, o que indica que bancos venderam dólares que estavam no caixa para o BC. Desde que as compras diárias foram retomadas em maio, o volume adquirido pela autoridade monetária soma US$ 21,5 bilhões.

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