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Investidor teme #145;estatização parcial #146; Argentina

A proposta da presidente argentina, Cristina Kirchner, de acabar com o sistema de Fundos de Pensões (AFJPs) e reestatizar a Previdência teve impacto negativo ontem nos mercados. Analistas dizem que se a reforma for aprovada no Parlamento - passando o estoque de investimentos dos fundos às mãos do Estado -, o governo se transforma em acionista de um grande número de empresas, com participação de até 25%.

Agência Estado |

E os investidores exclamam: "É uma estatização parcial da economia!"

Com isso, a Bolsa de Buenos Aires chegou a cair 17% (a segunda maior desde 1990) durante a tarde, mas encerrou o dia em baixa de 10,11%. Pela primeira vez desde setembro de 2004 ficou abaixo da "barreira psicológica" dos mil pontos do Índice Merval. Os títulos da dívida pública argentina tiveram baixa em média de 11%.

A taxa de risco país disparou, passando dos 1.627 pontos básicos da terça-feira para 1.890 de quarta-feira, um nível similar à marca que o país tinha em dezembro de 2001, pouco antes da declaração de calote da dívida pública. No entanto, no fim da tarde, pouco antes do encerramento do pregão, atingiu 2.006 pontos básicos.

Nos últimos dois dias, o Banco Central argentino injetou mais de US$ 400 milhões no mercado para conter a compra de dólares e a fuga de depósitos, que superaram US$ 200 milhões.

O anúncio também afetou a Bolsa de Madri, já que a Argentina é um dos principais destinos dos investimentos espanhóis. A queda do Índice Ibex, por causa do "efeito tango" foi de 8,2%. O ex-ministro da Economia Domingo Cavallo declarou que o governo, com a reestatização da aposentadoria, pretende cobrir "o imenso buraco fiscal" que o espera nos próximos três anos.

A presença de peso que o Estado argentino teria no futuro próximo ocorrerá em companhias privatizadas, bancos, entre outros. Em diversos casos, o Estado teria direito a ter diretores que o represente. Na Edenor, companhia privatizada de distribuição de energia elétrica, a presença das AFJPs é de 25,3%. Na Gas Natural Ban, é de 24,4%. Na Petrobrás Energia, alcança 13,2%.

A eventual futura presença estatal também ocorrerá em indústrias como a siderúrgica Siderar, com 23,5%; a empresa de alumínio Aluar, com 11,1%; a Telecom, com 22,8%; a companhia de cereais e oleaginosas Molines, com 18,3%, além dos bancos Macro, com 23,9%; e Galicia, com 17,1%.

Até o Grupo Clarín, cujo carro-chefe é o jornal Clarín - o mais importante do país e um crítico do governo - teria presença estatal, já que as ações em mãos dos Fundos de Pensões representam 8,9%. Com isso, analistas sustentam que a Bolsa de Buenos Aires voltará a ter um desempenho medíocre na economia argentina. "As empresas terão menos chances de conseguir financiamento no mercado de capitais."

"O principal jogador do mercado (os Fundos de Pensões) vai embora e ainda não sabemos nem como nem para onde vai", afirmou Antonio Cejuela, da consultoria Puente Hermanos. Segundo ele, as AFJPs têm 64% de participação das ações cotadas na bolsa.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) anunciou ontem que atuará como "guarda-costas" dos postos de trabalho dos argentinos. Segundo Omar Viviani, secretário da central sindical, a CGT denunciará publicamente "qualquer setor que faça demissões". Viviani e outras lideranças foram recebidos por Cristina Kirchner, que lhes pediu ser alertada sobre qualquer "alteração" na situação trabalhista no país.

Nos últimos dias, diversas empresas anunciaram férias coletivas. Ontem, informações de fontes sindicais indicaram que a Renault demitirá 300 operários.

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