O Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem em Brasília que os investidores que tirarem recursos do Brasil temendo os efeitos da crise da Grécia provavelmente "vão perder dinheiro". "Temos que ter muita tranquilidade com isso, mas, sobretudo, lembrar que o Brasil é um dos países que terá um dos melhores índices de crescimento neste ano.

O Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem em Brasília que os investidores que tirarem recursos do Brasil temendo os efeitos da crise da Grécia provavelmente "vão perder dinheiro". "Temos que ter muita tranquilidade com isso, mas, sobretudo, lembrar que o Brasil é um dos países que terá um dos melhores índices de crescimento neste ano. Também tivemos as menores sequelas na época da crise e tem estudos de instituições fortes do ponto de vista internacional que apontam que o Brasil será a quinta economia antes do final da próxima década." Ele afirmou que a situação da Grécia preocupa pois há sinais de que a crise pode se reproduzir em outros países da Europa. "Se isso começa a se multiplicar por outros países e gerar pânico, evidentemente pode acontecer uma crise maior". No entanto, o ministro acredita que o pacote de ajuda de 750 bilhões é muito significativo e deve resolver o problema. "Temos de considerar que a Europa se tornou uma grande economia integrada, tem muita força, uma economia pujante, com instituições sólidas. Não tenho duvida de que vão resolver isso". Bernardo lembrou ainda que a avaliação, de maneira geral, é que a economia da Grécia não tem peso para arrastar o mundo inteiro para uma crise. Déficit. Em São Paulo, o ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser Pereira, mostrou-se crítico em relação ao avanço do déficit de transações correntes no País, que neste ano deve chegar a US$ 49 bilhões. "Estamos indo para o mesmo caminho da Grécia. Está todo mundo viajando para Miami. Se fosse para Paris, até que seria bem melhor", comentou em tom irônico. Para ele, uma das batalhas a serem enfrentadas pelo Brasil é o câmbio muito valorizado, que prejudica o crescimento do País, corta investimentos das empresas e diminui a melhora de da população. "Um câmbio mais adequado estaria por volta de R$ 2,40", avaliou. Tal taxa seria muito mais favorável para o País pois poderia até dobrar o PIB nacional. Ele ressaltou que a cotação do real em relação ao dólar naquele patamar estimularia o aumento da formação bruta de capital fixo, pois o consumo interno dependeria mais da produção de mercadorias no mercado doméstico, o que elevaria a geração de empregos e a renda média dos trabalhadores.

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