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Investidor estrangeiro influencia 72% do comportamento da Bovespa

É consenso que o comportamento do investidor estrangeiro é fundamental para explicar as oscilações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), mas até então não se sabia direito o tamanho dessa influência. Tal questão foi respondia por um estudo feito pelo Instituto Nacional de Investidores (INI), que constatou que o estrangeiro responde por 72% do Ibovespa.

Valor Online |


O INI, instituição sem fins lucrativos que funciona como uma escola para quem quer investir em ações, analisou os fechamentos mensais do Ibovespa de janeiro de 2005 a junho de 2008. A partir desses números, foi possível observar que os movimentos de compra e venda do investidor estrangeiro foram na mesma direção do índice em 30 dos 42 meses analisados e que a correlação entre a variação do índice e o peso das entradas ou saques dos estrangeiros é superior a 72%.

"Uma correlação dessa magnitude indica que há fortes indícios de causalidade entre as variáveis, ou seja, a retirada de recursos dos estrangeiros é a maior responsável pelas quedas na bolsa e vice-versa", explicou o responsável pelo estudo e gerente geral do INI, Paulo Portinho, em comunicado.

Para ilustrar tal constatação, basta olhar os números dos últimos quatro meses. Em abril, com o saldo de negociação direta na Bovespa positivo em R$ 6 bilhões, o índice apresentou alta de 11,31%. Em maio, o saldo foi de apenas R$ 532 milhões, mas ainda assim o índice teve alta mensal de 6,96%. Cabe lembrar que até o dia 20 de maio, o saldo era positivo em mais de R$ 2,8 bilhões e que o mercado ainda estava sob o efeito dos dois selos de investimento obtidos pela Standard & Poors e Fitch ratings.

Já em junho, quando as incertezas sobre o crescimento mundial, preço das commodities e setor financeiro, aliadas às políticas monetárias mais restritivas, resultaram em uma queda de 10,43% do Ibovespa, tal baixa veio acompanhada da saída líquida de R$ 7,41 bilhões em investimento estrangeiro. O mesmo cenário perdurou durante o mês de julho, com o índice caindo 8,48%, e o saldo de não residentes negativo em R$ 7,39 bilhões (até 30 de julho).

A pesquisa também observou o comportamento do investidor pessoa física, agente que vem ganhando destaque nos últimos anos por aumentar sua participação na movimentação da Bovespa.

Segundo Portinho, o movimento de compra e venda do investidor pessoa física faz o caminho inverso daquele apresentado pelo não residente. Os pequenos investidores estão na contramão do índice, com 80% de correlação negativa, ou seja, o investidor individual está, quase sempre, na contramão do Ibovespa: investe quando o índice está em queda e retira quando está em alta. Provavelmente reagindo às boas oportunidades de compra que surgem quando o estrangeiro desmanchando posições.

Os números quantificam algo já sabido pelo mercado: quem acaba decidindo o rumo da Bovespa é o investidor estrangeiro. Para o gerente do INI, a estratégia para tornar o mercado nacional menos vulnerável ao humor externo é aumentar a participação do investidor individual e de investidores que respondem exclusivamente a estímulos econômicos internos. Dessa forma, crises internacionais, com a que estamos atravessando agora, não teriam capacidade de derrubar a bolsa.

Para o instituto, se o investidor estrangeiro fosse responsável por uma faixa entre 18% a 22% da movimentação financeira da Bovespa, os impactos seriam bem menos sentidos. De acordo com o último relatório mensal da própria Bovespa, os não residentes responderam por 37,21% do volume total movimentado em junho. E as pessoas físicas responderam por 24,42%.

"É preciso construir a cultura do investimento, conscientizando o brasileiro da importância do investimento em longo prazo", afirmou Portinho.

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