Para o investidor que viu suas suadas economias derreterem em questão de dias, com a queda da Bovespa, a idéia básica é ficar calmo e frio. O conselho é o colunista do iG José Paulo Kupfer, em chat na tarde desta terça-feira, ao responder as dúvidas dos internautas sobre investimentos. Nosso setor financeiro é sólido e não está muito integrado ao circuito internacional que entrou em curto, avalia.

Acordo Ortográfico De acordo com o colunista, em princípio, "não deve acontecer nada muito excepcional para a população brasileira em geral". "Talvez algumas dificuldades maiores ocorram se a economia e o crédito encolherem um pouco mais para a frente", analisa. Diante da ansiedade dos internautas, ele, entretanto, alerta: "não sou consultor de investimentos, apenas um jornalista de economia, com anos de janela".

A economia brasileira não deve escapar do  encolhimento e do enxugamento de liquidez que vêm acometendo a economia mundial, avalia. Mas, por várias razões, não corre risco de derreter ou mesmo entrar numa recessão, pelo menos no prazo médio, diz ele. "Nossa bolha é mixuruca. A crise vai passar, tenho certeza. O problema é saber quando." 

Em relação a investimentos, Kupfer aconselha a que obedeçam a um tripé básico: "rentabilidade (diferença líquida entre o você pagou e o que receberá), segurança (vide a crise atual) e liquidez (poder transformar a aplicação em dinheiro)". De acordo com o jornalista, é preciso escolher o que privilegiar porque, ao fazer a escolha, isso determinará as outras variáveis - como mais segurança e menos rentabilidade. "Parece óbvio, mas, se as pessoas realmente fizessem assim, dificilmente perderiam."

Para os investidores comuns, investir a longo prazo é em geral mais negócio, afirma o colunista do iG. "Mesmo assim, se for em fundos de investimento, depende do fundo, do gestor do fundo e da taxa de administração do fundo."

Crise x oportunidade

"Já é mais do que manjada a história de que nos ideogramas chineses crise também significa oportunidade. É isso, mas precisa saber o que você quer, para quando e quanto", adverte Kupfer. Se o investimento for de longo prazo e a empresa, forte, habituada a tratar bem os acionistas minoritários (inclusive na distribuição dos eventuais lucros), quando os preços estão mais baixos, pode ser bom negócio, opina.

No entanto, investir hoje na bolsa para tirar daqui a um ano, para um investidor comum, "sem muita grana, sem as manhas do mercado e sem tempo para se dedicar a acompanhar o vai-e-vem das cotações e da economia, acho meio arriscado". Alguém com essas características, diz ele - a grande maioria das pessoas -, tem de pensar em ações como um investimento patrimonial, quase como o investimento numa casa.

Unibanco

O Unibanco tem uma sociedade com a AIG em sua seguradora. "A AIG está fazendo água e pode ir pro ralo sim. Mas, atenção, o Unibanco comunicou que a AIG tem relações de sócio, mas não controla, nem participa da gestão e nem mesmo tem qualquer ligação contábil com o Unibanco." 

Segundo Kupfer, a AIG americana fez uma chamada de dinheiro de suas subsidárias no exterior. O Unibanco informou que não entrou nessa chamada, justamente porque suas relações com a AIG são mais simples, de sócio majoritário para minoritário, ainda que grande. "É muito, muito, muito difícil um banco quebrar aqui nesta crise", avalia ele. 

Nos EUA

Para quem pretende trabalhar nos EUA nos próximos meses, o jornalista adverte: "lá a economia vai dar uma apertada. O pessoal perdeu dinheiro no setor imobiliário, as casas estão valendo pouco e isso reduz a riqueza em geral". Ele pondera, porém, que a economia americana é forte, de alta produtividade e, dependendo das qualificações do trabalhador, "pode ser uma boa idéia".

Para Kupfer, a economia brasileira está menos exposta ao mercado financeiro internacional, o que uma faca de dois gumes. "O mercado interno está melhor e somos ainda bem isolados do mundo, inclusive o setor financeiro. Isso não é bom a longo prazo, mas é uma proteção, agora."

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