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SÃO PAULO - A queda acentuada na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) assustou muitos investidores de primeira viagem, que perderam dinheiro com a reação do mercado internacional ao pedido de concordata do tradicional banco norte-americano Lehman Broters. ¿Nos últimos anos, o mercado viveu um céu de brigadeiro, que deu a ilusão aos investidores de que o mercado financeiro é tranquilo¿, avalia o professor do Laboratório de Finanças (Labfin) da Fundação Instituto de Administração (FIA), Leonel Pereira.

Acordo Ortográfico Segundo o professor, quem tem investimentos no mercado financeiro não deve vender as ações nesse momento por causa da queda dos preços. Não é hora de tirar o dinheiro da bolsa, para quem pretende ficar nesse tipo de investimento por mais tempo, acredita. O professor do curso de administração e finanças da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo (USP) Keyler Carvalho Rocha concorda. O melhor é não fazer nada, ficar hibernando até melhorar, recomenda. Quem comprou ações em época de alta já realizou prejuízos, mas pode se recuperar porque o valor real das empresas é maior do que as suas ações apontam hoje, argumenta.

Rocha argumenta que as empresas brasileiras vêm tendo um bom desempenho e, portanto, suas ações não devem se manter em queda acentuada por um período muito longo. Ele alerta, porém, que ainda não é possível saber como a crise internacional vai afetar o mercado brasileiro. Comprar ações agora pode ser um sucesso, porque elas podem se valorizar num curto período, mas também pode ser um grande risco, avalia.

Pereira, do Labfin, acredita que a perspectiva para este semestre é negativa. Dois fatores podem levar a Bovespa a cair nos próximos meses: a queda no preço das commodities [matérias primas] e a instabilidade no mercado financeiro norte-americano, explica. Por isso, ele acredita que ainda não é um bom momento para comprar ações. O ideal é esperar a volatilidade do mercado se reduzir e esperar as ações caírem ainda mais antes de investir, recomenda.

Já Rocha, da FEA, acredita que o momento é propício para quem quiser investir uma parte do dinheiro que possui hoje em outro tipo de aplicação. Nós não temos bola de cristal, então não há como prever se a bolsa ainda vai cair mais ou se vai se recuperar. Mas uma coisa é certa, as ações das grandes empresas brasileiras, como Petrobras, Vale e Gerdau, estão a preço de pechincha. As empresas valem mais que isso, afirma.

Os dois professores concordam que não é o momento para colocar no mercado financeiro todo o dinheiro que o investidor tiver à disposição. O melhor é deixar pelo menos uma parte em aplicações de renda fixa, como CDB ou títulos públicos, recomenda Pereira, do Labfin.

Segundo ele, o momento de turbulência que os mercados vivem hoje é um bom teste para que o investidor avalie se tem perfil para aplicar na bolsa ou se deve preferir outro tipo de investimento menos instável. Se esta queda assustou tanto, talvez seja a hora de 'colocar a viola no saco', realizar o prejuízo e investir em outra aplicação, porque o mercado de ações é assim, diz.

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