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Investidor deixa euforia de lado e se preocupa com a economia real

Passada a euforia de segunda-feira, os investidores voltaram ontem à realidade, que aponta para um longo período de vacas magras para a economia global. Com isso, as apostas no mercado acionário foram menos intensas e as bolsas de valores tiveram desempenhos distintos ao redor do mundo.

Agência Estado |

Nos Estados Unidos, o Índice Dow Jones, o mais tradicional da Bolsa de Nova York, perdeu 0,82% e a bolsa eletrônica Nasdaq, 3,54%. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) oscilou bastante durante o pregão, mas acabou encerrando o dia em alta de 1,81%. No ano, o principal termômetro da bolsa brasileira acumula queda de 34,93%.

As praças européias também fecharam a terça-feira no azul. O Índice Xetra Dax, de Frankfurt, avançou 2,7%, o FTSE, de Londres, 3,23%, e o CAC-40, de Paris, 2,75%.

A percepção de grande parte dos analistas é de que o pânico iniciado há exatamente um mês, com a quebra do banco americano Lehman Brothers, ficou para trás. "Agora vamos coletar dados de conjuntura muito ruins", disse o economista-chefe da Ágora Corretora, Álvaro Bandeira. Um dos canais em que, segundo ele, esse mau desempenho ficará claro é o dos balanços das empresas. "Isso vai mexer com os mercados."

Especificamente ontem, Bandeira viu um movimento de realização de lucros, o que é normal depois de um pregão com uma alta expressiva (como os de segunda-feira) ou muitas sessões seguidas de valorização. "Várias ações subiram mais de 20% e, nos EUA, houve caso (como o do banco Morgan Stanley) em que o papel disparou mais de 80%", afirmou.

Embora esteja entre os especialistas que avaliam que o pior do pânico já passou, Bandeira avisa que o processo de recuperação da bolsa não será "limpo". "Ainda veremos muita volatilidade", observou.

O economista Marcelo Fonseca, da gestora de recursos M. Safra, concorda. "Ao que parece, a crise financeira foi estancada, mas teremos seqüelas enormes do lado real", disse. No cenário traçado por ele, as economias desenvolvidas (notadamente os Estados Unidos e a Europa) não conseguirão escapar de uma recessão.

Para Fonseca, esses países vão apresentar alguma recuperação a partir do segundo semestre do ano que vem. Mas há, segundo ele, a chance de que a situação só melhore em 2010. "Depende do tempo que vai levar para as medidas tomadas pelos governos fazerem efeito."

Com base em ciclos semelhantes ocorridos no passado, Fonseca diz que o mercado acionário começa a melhorar quando cresce a percepção dos agentes de que o fim da recessão está próximo. "Não há uma fórmula clara", ressaltou. Já houve momentos em que tal reversão das bolsas ocorreu 4, 6 ou 8 meses antes de a percepção de melhora econômica se consolidar. "Mas estamos longe disso", disse. "É difícil imaginar uma recuperação quando se está entrando em recessão."

O dólar voltou a perder terreno ante o real ontem. A moeda americana encerrou o dia cotada por R$ 2,10, o que representou uma queda de 1,78%. Entre a quebra do Lehman e ontem, o dólar se valorizou 18%. Na sexta-feira passada, pico das últimas semanas, chegou a fechar a sessão valendo R$ 2,32.

A gestora de recursos EM Galleas fechou seus dois fundos de ações - o Galleas 90 e o Galleas Partners I - para aplicações e resgates ontem à noite.Segundo comunicado aos cotistas colocado no site da empresa, a decisão "busca preservar o valor dos investimentos dos cotistas com capacidade de permanência e visão de longo prazo".

Ainda de acordo com o documento, "os fundos foram constituídos com prazos de resgate que se mostraram incompatíveis com a reação de alguns investidores sob condições de extremo estresse". No comunicado, a equipe de gestão da EM Galleas propõe aos clientes uma associação com a Fator Administração de Recursos.

De acordo com o site da EM Galleas, o fundo Galleas Partners I tinha ontem patrimônio líquido de R$ 72,543 milhões e o Galleas 90, de R$ 9,998 milhões. Neste ano, o Galleas 90 acumula rentabilidade negativa de 55,99% e o Galleas Partners, de 39,2%, até o dia 10 de outubro, segundo dados do site financeiro Fortuna. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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