Depois que a Bovespa caiu abaixo de 58,5 mil pontos logo na abertura do pregão, muitos investidores foram às compras e, ajudados pela melhora nos Estados Unidos, garantiram a alta mais vigorosa ao índice neste mês de julho (foi a terceira elevação do mês). O desempenho só não foi melhor porque as ações mais líquidas, da Vale e da Petrobras, continuaram abatidas pela saída de estrangeiros da Bolsa paulista.

“A Bolsa estava trabalhando no preço de promoção de shopping. Não tinha como não comprar”, sintetizou um profissional do mercado sobre as condições de hoje.

O Ibovespa, principal índice, encerrou a sessão em alta de 1,20%, aos 60.252,7 pontos. Oscilou entre a mínima de 58.338 pontos (-2,01%) e a máxima de 60.589 pontos (+1,77%). No mês, o índice acumula perdas de 7,33% e, no ano, de 5,69%. O volume financeiro totalizou R$ 6,352 bilhões.

A notícia que favoreceu os índices norte-americanos a operarem no azul hoje foi a de que a Rohm & Haas concordou em ser vendida para a Dow Chemical em uma transação em dinheiro avaliada em US$ 15,3 bilhões, oferta que representa um prêmio de 74% sobre o preço de fechamento das ações da Rohm ontem e sinaliza que uma onda de consolidação do setor químico pode estar em andamento. Além disso, o varejo norte-americano, liderado pelo Wal-Mart, divulgou vendas acima das previsões, ajudadas pelos cheques de devolução de impostos dados pelo governo aos contribuintes. E, para completar, o Departamento de Trabalho dos EUA informou que os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA caíram em 58 mil na semana encerrada em 5 de julho, para 346 mil, a maior queda desde setembro de 2005.

Com tudo isso, nas Bolsas de Nova York o índice Dow Jones encerrou em alta de 0,73%, o S&P, de 0,70%, e o Nasdaq, de 1,03%. Os ganhos ocorreram a despeito da nova disparada do petróleo. O preço do barril subiu 4,12% em Nova York, para US$ 141,65, com o anúncio de cessar-fogo por militantes no delta do Níger, região da Nigéria onde está uma grande parte das companhias estrangeiras de petróleo. Além disso, a Agência Internacional de Energia (AIE) reviu em alta a projeção de demanda global pela commodity em 2008.

A preocupação com o setor financeiro norte-americano continuou como pano de fundo para os negócios - justificando boa parte dos momentos de queda ao longo da sessão montanha-russa de lá hoje. O foco das preocupações recai agora sobre a capitalização das agências governamentais Freddie Mac e Fannie Mãe.

Em São Paulo, a compra das pechinchas, principalmente no setor siderúrgico (Usiminas PNA subiu 5,53%), ainda ajudado pela alta dos metais, fez com que a Bolsa subisse. O setor elétrico também foi destaque de elevação, enquanto a maioria das ações dos bancos fechou em baixa.

Vale ON conseguiu, no finalzinho, anular suas perdas e fechar estável, mas Vale PNA recuou 1,03%. Petrobras ON caiu 1,41% e Petrobras PN cedeu 1,38%. Hoje, a estatal do petróleo comunicou à Agência Nacional de Petróleo que encontrou indícios de óleo em um poço em terra localizado no bloco BT-POT-4, na Bacia de Potiguar, na Região Nordeste. Ainda de acordo com informações da ANP, na terça-feira a Petrobras também informou indícios de óleo em outro poço em terra localizado no Nordeste. A companhia encontrou óleo no bloco REC-T-31, na Bacia de Tucano. As notícias não impactaram as ações.

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