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Intervenção em gigantes das hipotecas anima bolsas pelo mundo

Paco G.Paz.

EFE |

Washington, 8 set (EFE).- Com fortes altas, as bolsas de valores comemoraram hoje a decisão do Governo dos Estados Unidos de intervir nas duas maiores companhias hipotecárias do país, o que melhora a perspectiva para um setor que perdeu US$ 507 bilhões em crédito.

O otimismo gerado pela intervenção foi sentido nas bolsas de todo o mundo, desde a Ásia, onde o índice Nikkei da bolsa de Tóquio chegou a subir 3,37%, até a Europa, onde as praças de Madri, Londres e Frankfurt chegaram a registrar alta de quase 4%.

As bolsas de Nova York, últimas no mundo a abrir o pregão, começaram o dia com forte alta de mais de 300 pontos. Após uma hora e meia de negociações, o Dow Jones Industrial, o principal de Wall Street, subia 190 pontos, equivalente a 1,70%.

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, deu respaldo hoje a intervenção nas duas gigantes americanas e disse que a economia não criará emprego de forma saudável até que saia da crise imobiliária.

A reação dos investidores reflete a importância da medida tomada pelo Governo dos EUA, tradicionalmente pouco intervencionista mas que agora decidiu interferir para salvar as duas hipotecárias, que financiam três em cada quatro novos compradores de casas.

Basicamente, o Governo assumiu a gestão, destituiu seus executivos-chefes e se comprometeu a refinanciar as operações das duas empresas, que perderam cerca de US$ 14 bilhões no último ano.

O grande problema destas agências é que transformaram a gigantesca bolsa de empréstimos hipotecários que possuem em um fundo de ações, do qual venderam bônus no valor de vários trilhões de dólares.

Como certificou ontem o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, cerca de US$ 5 trilhões em dívida e bônus emitidos pelas duas empresas estão nas mãos de bancos centrais e investidores de todo o mundo.

Paulson advertiu que, caso estas duas empresas entrassem em processo de falta de pagamento, as turbulências financeiras acarretadas seriam sentidas em todo o planeta.

Por isso, o Governo americano decidiu intervir nas duas companhias para evitar o colapso delas diante da certeza de que nenhuma das duas poderia sobreviver na situação atual.

Além de substituir os gerentes, o Tesouro decidiu comprar US$ 1 bilhão em ações preferenciais de cada uma delas, e o fez com uma opção de aquisição de 79,9% de seu capital.

De maneira adicional, se comprometeu a fornecer US$ 200 bilhões em liquidez.

A intervenção do Governo ameaça provocar perdas milionárias aos investidores que tinham ações da Fannie Mae e da Freddie Mac.

Hoje, na metade do pregão em Wall Street, as ações da primeira desabaram 85,91%, para US$ 0,98, e as da segunda, 81,59%, para US$ 0,93.

Entre os principais acionistas, figura, por exemplo, o Sovereign Bancorp, uma entidade que majoritariamente do grupo espanhol Santander, e que hoje caía 12,73% em Wall Street.

Por outro lado, a medida governamental protegerá os investimentos multimilionários de instituições de todo o mundo nos bônus titularizados emitidos por estas duas empresas, e entre os quais estão grandes gerentes de fundos e os bancos centrais do planeta.

A intervenção governamental reflete a gravidade da crise do setor imobiliário, considerada a mais virulenta desde a grande depressão de 1929.

Além disso, reflete o fracasso do experimento, aprovado pelo Congresso, de criar duas gigantes hipotecárias semi públicas, com o único objetivo de impulsionar a compra de casas por parte dos cidadãos com salários médios ou baixos.

Agora, devido ao enorme peso que Fannie Mae e Freddie Mac adquiriram na indústria hipotecária, se espera que a intervenção sirva para afrouxar os preços dos créditos para a compra de imóveis.

Apesar de o Federal Reserve (Fed, banco central americano) ter reduzido no último ano a taxa básica de juros de 5,25% para 2%, os juros médios de uma hipoteca com prazo de 30 anos nos EUA são, atualmente, de 6%.

Por enquanto, não se sabe qual será o futuro a longo prazo destas duas empresas em crise. Segundo o modelo de tutela adotado pelo Governo, as duas empresas continuarão cotando em bolsa, embora financiadas com dinheiro público.

Segundo disse hoje a porta-voz da Casa Branca, o Congresso é quem deverá decidir se e como se relançam estas duas empresas, uma vez saneadas, ou se as companhias serão substituídas por outro tipo de entidades. EFE pgp/rb/rr

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