Paris, 13 out (EFE).- O presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou hoje que o plano do Governo de seu país para enfrentar a crise financeira internacional prevê gastos de até 360 bilhões de euros, destinados a garantir os empréstimos entre bancos e a intervir nas instituições com problemas de liquidez.

Após uma reunião ministerial extraordinária destinada a adotar as medidas definidas no domingo pelo Eurogrupo, Sarkozy disse que a França destinará no máximo 320 bilhões de euros para garantir os empréstimos entre entidades e fomentar assim o mercado creditício.

Para impedir a quebra dos bancos mais afetados pela crise financeira, o presidente francês também anunciou uma verba de até 40 bilhões de euros, com os quais o Estado francês poderia entrar no capital das entidades à beira da falência.

Sarkozy afirmou que o Governo "não deixará nenhum banco falir" e destacou que, caso haja esse risco, tomará o controle da entidade e mudará sua direção.

"Com estas medidas, esperamos pôr fim à crise de confiança e evitar que os franceses paguem um custo exagerado que uma crise do sistema bancário teria. Não seriam os bancos os mais afetados, seriam os franceses, suas economias e seus empregos", declarou.

Sarkozy destacou que o plano não terá nenhum custo para o contribuinte francês.

No caso das garantias de empréstimos entre bancos, a quantia de 320 bilhões de euros "é um teto que não será alcançado", garantiu o presidente francês.

Quanto aos 40 bilhões de euros para recapitalizar os bancos, Sarkozy afirmou que o Estado ficará com ações das entidades, que serão vendidas após o fim da crise e sempre que seu valor no mercado seja pelo menos similar ao dinheiro público investido.

Os ministros franceses também concordaram em dar início a um conjunto de medidas destinadas a amenizar as conseqüências da crise nas economias domésticas e nas das pequenas e médias empresas.

"O compromisso do Estado é considerável", afirmou Sarkozy, que comparou o plano francês com o adotado por outros vizinhos europeus, mas destacou que "a Europa unida fez mais do que os Estados Unidos" para atenuar a crise financeira.

Sarkozy também disse que, quando a crise passar, deverá ser feita uma "refundação do capitalismo", para a qual proporá "nas próximas semanas" uma cúpula do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais industrializados e a Rússia) e das nações emergentes para definirem as bases do novo sistema.

"Queremos um capitalismo de empreendedores", afirmou o presidente francês, que se comprometeu a pedir contas aos responsáveis pela atual crise. EFE lmpg/wr/jp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.