Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Inteligência comercial ainda é restrita a grandes empresas

A inteligência comercial é apontada como ferramenta importante para desenvolver as exportações brasileiras nos mais diversos setores. Mas a verdade é que apenas algumas grandes empresas despertaram para esse processo, o que está levando a Apex-Brasil a promover ações para mudar essa situação e garantir que mais produtos aumentem a sua competitividade no exterior.

Agência Estado |

A partir da inteligência comercial é possível minimizar erros, reduzir custos e buscar as oportunidades certas nos mercados corretos. Desde 2004, a Apex-Brasil tem trabalhado o tema dentro das federações de indústrias e entidades de classe. "A nossa expectativa é de que o processo esteja disseminado somente daqui a 10 anos", admite o coordenador de inteligência comercial da Apex, Marcos Lelis.

A agência já dispõe de produtos de prateleira. "No primeiro semestre deste ano fizemos 206 estudos", revela. São levantamentos voltados para áreas distintas. Um deles, por exemplo, analisa oportunidades para 20 setores na Argentina. Outros avaliam uma única área em vários países e há ainda os que apontam os setores mais dinâmicos de um determinado mercado importador.

A Apex desenvolve estudos encomendados por entidades setoriais. "As análises pautam todo o processo de internacionalização. Um evento em Cuba, por exemplo, aponta as oportunidades locais e os empresários vão se inserindo. A construção civil é uma área de oportunidades hoje naquele país", informa.

Cada estudo é desenvolvido num prazo mínimo de 30 dias. Parte do levantamento é feito aqui mesmo no País com base em estatísticas do comércio exterior. A partir daí é promovida uma pesquisa in loco. O estudo leva em conta a questão quantitativa e qualitativa, que é a que dá o refinamento do setor prospectado.

"Em geral, o que se levanta aqui em nosso escritório bate com o que é pesquisado in loco. Mas, às vezes, o trabalho feito no lugar descobre ainda mais oportunidades. Ou seja, os dois estágios se complementam", argumenta o coordenador.

Mais de 60 entidades estão trabalhando hoje com a Apex que, que neste ano já fez análises para 46 grupos distintos. "Esses levantamentos praticamente cobriram todos os setores, exceto os produtos primários (agricultura e pecuária). Focamos nos semimanufaturados e nos manufaturados."

O setor de transformação do plástico é das poucas áreas que já despertaram para a importância da inteligência comercial. Por conta disso, o Instituto Nacional do Plástico (INP) é um dos finalistas do Prêmio Apex-Brasil, pois desenvolve desde 2004 o Programa Export Plastic com ações orientadas de inteligência comercial.

A idéia é identificar potenciais mercados e clientes. O programa também faz uma análise da concorrência e procura identificar a demanda por novos produtos, possíveis nichos e as tendências do mercado. As empresas interessadas são informadas sobre as necessárias adequações dos produtos para determinados mercados, recebendo ainda orientações sobre regulamentações e exigências internacionais.

"O programa disponibiliza hoje 70 pesquisas de diversos produtos plásticos nos mercados latino e norte-americanos, europeu e africano. Para que ocorra de fato a exportação inteligente com competitividade contamos com um quadro de especialistas preparados para detectar oportunidades e orientar as empresas nas decisões de internacionalização", explica o gerente do Export Plastic, Marco Wydra.

O executivo da entidade entende que as empresas enquadradas no programa têm mostrado neste ano como é possível vencer as adversidades do cenário nacional e internacional. "Elas apresentaram desempenho que surpreendeu até os mais otimistas. As exportações das empresas associadas cresceram no primeiro semestre 4,9% em relação ao mesmo período de 2007. E se falarmos em valores, o crescimento foi mais importante, atingindo 22%", comemora Wydra.

Os principais destinos daquelas exportações foram justamente os países focados pelo trabalho de inteligência comercial do programa: Argentina, Chile e Estados Unidos. Já em 2007 os parceiros constantes na exportação de produtos de plástico foram o Mercosul (32%), Aladi (27%), Estados Unidos (14%) e União Européia (12%). O volume de transformados de plásticos exportados chegou a 333 mil toneladas, totalizando US$ 1,185 bilhão (1,45% do PIB).

Com um total de 11.263 empresas, o setor emprega 317.232 pessoas, concentradas sobretudo nas regiões Sul e Sudeste. Só o Estado de São Paulo responde por 45,4% do total de unidades de transformação do plástico. A produção de artefatos de plástico cresceu 7,6%, no ano passado, chegando a 4.881 mil toneladas.

Ao lado do INP, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) é outra entidade setorial finalista na categoria "Inteligência Comercial" do Prêmio Apex, junto com a Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal).

Na verdade, a Abit está entre as classificadas em três das quatro modalidades do Prêmio Apex, o que é atribuído por seus dirigentes ao sucesso do Programa Texbrasil, criado em 2001. Trata-se de um trabalho estratégico da cadeia têxtil nacional, em parceria com a Apex-Brasil, que, além de atingir a marca de US$ 2,3 bilhões de exportações do setor em 2007, levou a moda local para o exterior, em processo conjugado com diversos aspectos da cultura nacional, da música à arquitetura.

Já a Assintecal, que também disputa a final em três categorias, destacou o case da Índia nos seus esforços de inteligência comercial. Uma série de ações desenvolvidas buscando conquistar aquele país resultou num incremento de 59,21% nas exportações para os indianos na comparação entre o final de 2007 e o final de 2005 (soma aplicada dos percentuais). Destaque ainda para o crescimento da Índia como mercado de destino das exportações brasileiras de componentes, com alta de 35% de 2006 para 2007.

Um grupo de nove empresas ligadas à Assintecal, que atuou em conjunto para atingir com maior rapidez suas metas, registrou grande sucesso e exportou para a Índia, em 2006 e 2007, um total de US$ 1,661 milhão. E mais: seis delas não tinham nenhum tipo de relação comercial com aquele país até 2005, ou seja, abriram um novo mercado com o uso das informações estratégicas prospectadas pela associação. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG