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PORTO SEGURO* - A Intel, maior fabricante de processadores do mundo, afirma que há hoje um mercado ainda pouco explorado, de US$ 40 bilhões, para seus produtos em segmentos independentes daquele de chips para computadores pessoais. De acordo com o diretor geral da empresa para a América Latina, Jesus Maximoff, esse número pode ser ainda maior, e o potencial de crescimento é bastante significativo.

Segundo a Intel, esses US$ 40 bilhões se dividem igualmente em quatro segmentos: o de processadores integrados (que equipam sistemas de GPS, telefones celulares e caixas eletrônicos, por exemplo); o de aparelhos móveis de acesso a internet; de aparelhos eletrônicos de consumo, como TVs; e, por fim, o de subnotebooks (notebooks de baixo custo e mais simples, para acesso a internet, que a Intel classifica como netbooks).

A fabricante estima que todas essas novas áreas de atuação ofereçam ótimas oportunidades para seu processador Atom, lançado neste ano e que foi desenvolvido especialmente para atender as necessidades dos aparelhos dessa categoria como baixo custo, tamanho reduzido e baixo consumo de energia.

O valor de US$ 40 bilhões, inclusive, pode ser até maior. No segmento de integrados, por exemplo, é possível que o potencial de mercado seja de até US$ 20 bilhões, afirma o executivo.

Segundo ele, o segmento de netbooks é o que apresenta a melhor perspectiva de crescimento nessas novas áreas de atividade para tecnologia e fabricantes de equipamentos.

Os netbooks apresentam o maior potencial de crescimento no futuro entre esses novos segmentos, afirma Maximoff. Seu ritmo de expansão será mais rápido, baseado no preço mais baixo e no interesse cada vez maior dos consumidores por mobilidade, acrescenta.

O segmento de MIDs, segundo o executivo, deve também ter participação expressiva na expansão do mercado de tecnologia nos próximos anos e, consequentemente, nos negócios da companhia. Essa aposta, porém, depende de uma oferta maior de acesso a banda larga - especialmente sem fio -, que ele próprio classifica como muito baixa.

A expectativa da Intel é de que, até 2010, cerca de 650 milhões de pessoas tenham acesso a banda larga sem fio em todo o mundo. Daí o interesse da companhia em promover a tecnologia WiMax de transmissão de dados sem fio, que permitiria oferecer acesso de banda larga sem fio em grandes áreas geográficas. No Brasil, esse sistema ainda não está disponível - ele só existe em alguns países como EUA, Coréia do Sul e Japão.

Maximoff acredita, ainda, que a preocupação com relação ao sucesso do WiMax sendo limitado pela tecnologia de telefonia de terceira geração (3G) é infundada.

Segundo ele, o 3G é adaptado principalmente para a transmissão de voz e, embora possa ser utilizado para transmitir dados, o WiMax é mais indicado para essas atividades. Como exemplo de que as duas tecnologias podem conviver, ele cita os casos das operadoras sul-coreana Wibro e da japonesa KT. Ambas empresas agora oferecem WiMax e ambas têm serviços 3G, afirma Maximoff.

(José Sergio Osse | Valor Online)

*O repórter viajou a convite da Intel

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