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Instituições médias recorrem a fundos para se capitalizar

A redução abrupta de liquidez nos mercados internacional e doméstico provocou uma corrida de empresas e bancos médios para lançar Fundos de Investimento em Direito Creditório (Fidcs) e conseguir dinheiro para honrar compromissos. Nesse produto, as instituições financeiras vendem para os fundos os recebíveis de empréstimos e financiamentos feitos no mercado e embolsam um dinheiro que seria pago pelos clientes de forma parcelada ou apenas no futuro.

Agência Estado |

As cotas dos Fidcs são vendidas a fundos de investimentos, fundações, seguradoras e gestores de grandes fortunas.

Desde a semana retrasada, com a deterioração do cenário externo, seis instituições e empresas fizeram pedidos à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para distribuir cotas de Fidcs no valor de R$ 865 milhões. Essas ofertas ainda estão em análise pela autarquia e incluem pedidos de bancos como Cruzeiro do Sul, BMG e Omni S.A (especializada em financiamento de veículos).

Em setembro, a CVM autorizou o registro de oito ofertas de Fidcs no valor de R$ 1,352 bilhão - de instituições como Credipar, Mercantil do Brasil e Union National. O volume é 123% superior ao mesmo mês do ano passado. A modalidade tem ganhado espaço no mercado, especialmente por causa da dificuldade em fazer captações no mercado internacional.

"Ao contrário dos CDBs, em que o risco do investidor se concentra no banco, os Fidcs estão atrelados a ativos (crédito) que não sofrem se a instituição tiver um problema de liquidez", explica o analista da Austin Rating, Luis Miguel Santacreu. Além disso, explica ele, esses produtos são administrados por grandes bancos.

Com medo da crise, os investidores têm evitado comprar papéis (CDBs) de instituições de menor porte, mais vulneráveis. Quem aceita exige elevadas taxas de juros. O superintendente de Relações com Investidores do Banco Cruzeiro do Sul, Fausto Guimarães, afirmou que algumas renovações têm saído por volta de 110% do CDI (taxa usada em empréstimos entre bancos).

Ele destaca que, durante os mais de 20 anos de profissão, nunca viu uma crise de liquidez tão grave como a atual. "Estamos diminuindo de forma significativa a concessão de crédito. Os empréstimos que estamos dando têm taxas mais altas e prazos mais curtos." Segundo ele, nesse momento, a prioridade da instituição é fazer um colchão de liquidez suficiente para honrar os compromissos.

Segundo analistas, a situação dos bancos médios tem ficado cada vez mais complicada com o estreitamento do mercado de captações. Outras instituições, que preferiram não se identificar, contaram ao Estado que paralisaram a concessão de crédito para novos clientes. "Temos atendidos apenas clientes antigos", disse o executivo de um banco voltado para o mercado de médias empresas.

As dificuldades criaram também alguns boatos no setor, como o fechamento de financeiras do Banco Credibel, do Grupo Splice. A instituição foi ao mercado explicar a confusão e disse que não tem nenhuma financeira. "A atividade de financiamento de veículos usados, realizada através de promotoras de crédito, foi encerrada por estratégia comercial, definida no início do ano, portanto, anterior ao agravamento do cenário atual", afirmou o banco, em comunicado oficial. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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