Patricia Souza. Tóquio, 6 out (EFE).- As Bolsas de Valores da Ásia viveram hoje mais uma segunda negra por causa da instabilidade financeira, com perdas de aproximadamente 5% nos principais mercados e fortes quedas de seus gigantes exportadores.

Os dois índices da Bolsa de Tóquio, o Nikkei e o Topix (que reúne todos os ativos da primeira seção), fecharam no nível mais baixo em quase cinco anos, após caírem 4,25% e 4,66%, respectivamente, o que se junta ao retrocesso de quase 7% acumulado na última semana.

As quedas foram hoje generalizadas em todos os mercados da Ásia, uma região eminentemente exportadora, que viram cair com força os papéis das grandes empresas e fortes oscilações na cotação de suas divisas.

O índice geral de Xangai voltou a operar, após uma semana sem operações, com queda de 5,23%. O Hang Seng, de Hong Kong, retrocedeu 4,97% e o Kospi, de Seul, teve queda de 4,29%, fechando em seu pior nível desde janeiro de 2007.

A aprovação na última sexta do plano de resgate financeiro por US$ 700 bilhões pelo Congresso dos Estados Unidos não foi suficiente para amenizar os temores da economia global, instigados pelo crescente número de bancos em crise em ambos os lados do Atlântico.

Os principais ativos tecnológicos e eletrônicos da Ásia, os mais orientados à exportação junto com os fabricantes de veículos, somaram hoje grandes quedas, da mesma forma que os bancos e as siderúrgicas.

Em Tóquio, a Sony perdeu 6,64%, a Toshiba e a Panasonic retrocederam entre 5% e 6,3%, a Nintendo caiu 7,45%, a Toyota cedeu 4,4%, seu nível mais baixo desde 2005, e o banco Mitsubishi UFJ, o maior do Japão, desceu 9,23%.

Na bolsa sul-coreana os mais prejudicados eram as companhias siderúrgicas e os estaleiros, os mais dependentes do preço das matérias-primas.

A Hyundai Heavy Industries, um dos maiores estaleiros do mundo, e a empresa de aço Posco, perderam mais de 7%, enquanto companhias líderes do setor de eletrônicos como a Samsung Electronics sentiam menos o golpe, com queda de 2,08%.

Além disso, as quedas das Bolsas asiáticas foram acompanhadas por sérias oscilações de muitas de suas divisas.

O iene japonês ganhou força frente ao dólar, que durante a sessão de hoje caiu para 102 ienes, e frente ao euro, que caiu para 139 ienes pela primeira vez em mais de dois anos.

Ao mesmo tempo, o won sul-coreano marcava em Seul um novo mínimo em seis anos frente à moeda americana, de 1.269 wons.

O won já perdeu na semana passada 5,2% por causa do temor da escassez de liquidez em dólares, sobretudo desde a quebra do banco de investimento americano Lehman Brothers.

O ministro de Finanças sul-coreano, Kang Man-soo, pediu hoje aos bancos locais que não acumulem excessivas reservas em moeda estrangeira para, desta forma, garantirem a liquidez, e lembrou que seu Governo injetará em breve US$ 10 bilhões no mercado de divisas.

Na China, voltou a operar hoje o mercado de Xangai, fechado desde 26 de setembro por causa de férias locais, e o resultado não podia ser mais negativo.

Seu índice geral fechou nesta segunda a 2.173,74 pontos, após cair 120,05 (5,23%) em relação ao fechamento anterior.

Em Hong Kong, segunda principal Bolsa da Ásia depois de Tóquio, as coisas não foram muito melhores, pois seu principal índice, o Hang Seng, desabou quase 5%, para 16.803,76 unidades, após perder 803,76 pontos. EFE psh/fh/fal

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