Paris, 19 mar (EFE).- Os sindicatos franceses se mostravam confiantes nas primeiras horas desta quinta-feira em conseguir uma forte mobilização neste segundo dia de greves e manifestações do ano, em protesto pelos efeitos da crise e contra a política econômica do presidente Nicolas Sarkozy.

As oito grandes centrais sindicais da França, que voltaram a lançar este protesto de forma unida, como já haviam feito em 29 de janeiro, esperam superar os números de manifestantes do primeiro protesto com as mais de 200 passeatas organizadas por todo o país.

O sucesso será avaliado na medida em que se ultrapasse o número de 2,5 milhões de manifestantes que, segundo os próprios organizadores, em 29 de janeiro pararam vários setores do país.

Os dados de primeira hora da manhã mostravam que a atividade econômica não estava seriamente afetada, embora a greve já fosse sentida no transporte público, e em particular nas ferrovias, onde o movimento havia começado já ontem, às 20h (16h, Brasília).

No transporte urbano, a situação não era idêntica em todas as cidades, mas nas maiores, como Paris, a circulação de ônibus, bondes e metros era quase como a de um dia normal.

No transporte aéreo, o aeroporto de Orly, em Paris, parecia ser um dos mais afetados, com vários voos cancelados desde as primeiras horas de um dia em que a companhia Air France esperava poder garantir 70% de seu programa habitual.

A educação é um dos serviços em que a greve deve incidir com mais força.

O primeiro-ministro francês, François Fillon, deve fazer seu primeiro pronunciamento sobre a situação perante as câmeras ainda hoje.

O premiê já antecipou, porém, que, para não aumentar ainda mais o déficit público, não haverá outra verba orçamentária para novas medidas sociais, ao contrário do que foi feito após o protesto de janeiro.

Sarkozy organizou uma cúpula social em 18 de fevereiro com os sindicatos e a patronal, e anunciou um pacote de medidas destinadas às classes mais desfavorecidas avaliado em 2,6 bilhões de euros.

Os sindicatos, que contarão nas manifestações com a presença dos líderes de todas as legendas de esquerda, com o Partido Socialista à frente, ameaçaram continuar os protestos se o Governo não se movimentar, e falam de uma nova mobilização em 1º de maio. EFE ac/rr

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