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Inquérito afeta planos de Meirelles

O cronograma estava acertado. Vislumbrando uma indicação de seu partido, o PMDB, ao cargo de vice-presidente na chapa da ministra Dilma Rousseff à presidência da República, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, entraria em licença no próximo dia 22. Pouco mais de uma semana depois, no dia 31, ele anunciaria oficialmente que estava deixando o comando da autoridade monetária após 2.647 dias.

Redação Economia |

 

Até agora, a única preocupação de Meirelles era se na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, ele votaria a favor de um aumento na taxa básica de juros ou se deixaria esse problema para o próximo presidente do BC, o atual diretor de Normas, Alexandre Tombini.

O quadro mudou na noite da quarta-feira 10, quando ele foi avisado de que o Ministério Público Federal o denunciou ao Supremo Tribunal Federal por crimes contra a ordem tributária. Agora, Meirelles está nas mãos do ministro Joaquim Barbosa, que declarou segredo de justiça sobre o inquérito de número 2924.

De acordo com o inquérito apresentado no site do STF, Meirelles contratou o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos para fazer a sua defesa.

Na tarde da quinta-feira 13, o Banco Central divulgou uma nota oficial na qual afirma que Meirelles pediu vistas dos autos junto ao STF. A nota acrescenta que "o patrimônio formado durante sua vida profissional foi resultado de árduo trabalho, com todos os seus rendimentos e bens declarados aos órgãos competentes".

Nos bastidores, o nome de Meirelles, que vinha demonstrando a maior chance de unir os empresários e o mercado financeiro internacional à campanha de Dilma, parece começar a fazer água. No PMDB, o caso caiu como uma luva nas pretensões do presidente do partido, Michel Temer, candidato declarado à vaga de vice.

Na quinta-feira 13, Temer e outras lideranças do partido estiveram com o presidente Lula para discutir o futuro do PMDB no governo. Decidiram que os secretários-executivos dos ministérios vão assumir as cadeiras dos titulares que sairão para concorrer às eleições. O nome de Meirelles ficou em segundo plano.

Pressão na economia

Os possíveis problemas com a Justiça não são a única dor de cabeça de Meirelles. Ele tem sido pressionado pela área política do governo a manter a taxa básica de juros como está há oito meses, em 8,75% ao ano. Os assessores mais próximos ao presidente Lula e ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, argumentam que seria um tiro no pé segurar a economia logo no momento em que ela mostra mais vigor no período pós-crise internacional.

A próxima reunião do Copom, marcada para os dias 16 e 17 de março, será crucial na definição de como o atual governo mostrará o Brasil na campanha presidencial. Segundo analistas de mercado consultados pelo iG, caso o BC opte por um aumento de juros imediato, há grande chance de que a inflação fique dentro da meta estabelecida, de 4,5%. O problema é que se a dose for brutal, a economia corre o risco de ser estrangulada em pleno ano eleitoral.

Meirelles sabe disso. Tanto que ainda não bateu o martelo sobre a posição que tomará em sua última reunião do Copom. Nas últimas duas semanas, interlocutores do presidente do BC deram pistas divergentes sobre como ele anda pensando.

Num primeiro momento, Meirelles estaria disposto a deixar o arrocho na Selic para o próximo presidente do Banco Central. Alexandre Tombini é muito ligado ao ministro Guido Mantega, mas ainda mais leal aos fundamentos da economia. Ou seja, não seria um problema para o atual diretor de Normas arcar com o custo político de uma decisão dessas.

O problema é que Meirelles começou a dar sinais recentes de que deverá votar por uma alta dos juros já nesta reunião. Dois dos principais motivos seriam indicar ao mercado que está insatisfeito com as apostas sobre os juros futuros e, principalmente, reforçar a autonomia operacional do BC, independentemente de quem estiver no comando da instituição.

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