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InPar perto de receber novo sócio

A incorporadora InPar, controlada pela família Parizotto, está perto de receber um sócio ou um novo dono. Segundo fontes próximas à companhia, o banco Credit Suisse está em negociações avançadas com vários investidores estratégicos (empresas do setor) e financeiros (fundos) interessados em comprar participação na incorporadora.

Agência Estado |

Se der certo, a operação pode ser anunciada dentro de 15 dias.

A InPar desperta interesse porque vale hoje cerca de 20% do seu patrimônio líquido. Ontem, suas ações estavam cotadas a R$ 1,46. Em um ano, os papéis caíram 93%. "A empresa está de graça", diz uma fonte. As sinalizações mais fortes têm vindo de fundos estrangeiros especializados no mercado imobiliário. Uma nova leva deles desembarcou recentemente no País com o objetivo de comprar algumas barganhas. São nomes como Golden Tree, JER, Colony Capital e Och-Ziff.

No momento, o foco da InPar não é vender projetos nem participação em empreendimentos já lançados, como acabou de fazer a Abyara, que também enfrenta sérias dificuldades de caixa (ver abaixo) e tem uma dívida alta com vencimento de curto prazo.

Em agosto, antecipando uma estratégia que depois foi adotada por outras empresas do setor imobiliário, a InPar tomou a decisão de vender parte do seu portfólio - basicamente de edifícios comerciais. O objetivo era levantar R$ 400 milhões para capital de giro. "A crise atrasou um pouco a venda, mas elas estão acontecendo", diz uma fonte do mercado. O dinheiro, no entanto, não é suficiente.

A InPar não corre risco de quebrar, segundo essas fontes. A dívida da companhia, da ordem de R$ 200 milhões, é de longo prazo, com vencimento a partir de 2010. Seu problema é de liquidez. Ela não tem dinheiro em caixa para tocar os novos projetos. Na próxima semana, ela vai anunciar os resultados do terceiro trimestre. É esperada um novo ajuste no número de lançamentos. A iniciativa não deve partir apenas dela, mas de todo o setor.

"O medo é lançar sem ter possibilidade de financiamento", dizem as fontes. "O dinheiro para capital de giro prometido pela Caixa Econômica Federal só deve entrar no caixa das empresas em dezembro ou janeiro. Como todas as empresas estão interessadas na linha, não vai ser suficiente para todas."

O sinal amarelo acendeu em maio. Ali, ficou acertado que, se a InPar não conseguisse fazer uma nova captação, haveria uma revisão dos ambiciosos planos traçados no ano anterior. É consenso entre analistas do mercado que o problema de empresas como InPar e Abyara foi o excesso de confiança.

Quando elas foram à Bolsa, anunciaram metas ousadas demais para o seu tamanho modesto. "Houve uma certa imposição do mercado. Depois que grandes empresas como Gafisa, Cyrela, Rossi e Company foram à Bolsa, os bancos começaram a achar soluções para tornar as companhias menores atraentes para o investidor. A solução foi estimular o maior landbank (banco de terrenos) possível", diz uma fonte ligada à companhia. "Elas, então, saíram numa caça descomunal. O problema da InPar foi captar R$ 700 milhões e fazer lançamentos agressivos sem ter certeza de ter financiamento para cumprir esse ciclo."

A partir de um determinado momento, a herança da InPar passou a pesar. No começo desta década, a incorporada ficou três anos fora do mercado, sem fazer nenhum lançamento. Nesse período, a família Parizotto teve com os bancos uma relação estressante de renegociação de dívidas. "Por causa disso, bancos como Itaú, Bradesco e Unibanco não emprestam mais para a InPar", dizem fontes do mercado e próximas à companhia.

A situação chegou a tal ponto que o empresário Alcides Parizotto teria sido obrigado a entregar o apartamento onde morou a vida inteira para um banco estrangeiro para o qual a companhia devia. "Ele pagava aluguel ao banco e só recuperou o imóvel quando fez o IPO (sigla em inglês para oferta inicial de ações)", conta outra fonte.

Banqueiros teriam sugerido que a solução para esse imbróglio passaria pela mudança na gestão, com a contratação de um profissional independente para comandar a companhia. O modelo a ser copiado era o da Gafisa, que há quatro anos conseguiu equacionar seus problemas financeiros do passado com a contratação de Luiz Cláudio Nascimento, um matemático com forte formação financeira. Na ocasião, a empresa foi totalmente reestruturada.

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