Alexis Gonçalves, especial para o iG

Para você, a Inovação é uma Arte ou uma Ciência?

A inovação é cada vez mais controlável e os seus resultados, mais mensuráveis

05/08/2010 06:30

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Tradicionalmente, muitos veem inovação e criatividade como habilidades naturais, uma arte em que um grupo seleto de pessoas se destaca. Ainda hoje, muitos se preocupam com o efeito negativo que uma “estrutura” no processo de inovação poderia gerar na criação de uma cultura inovadora. A preocupação mais comum é a seguinte: se você criar um ambiente estruturado você acaba matando a inovação e o espírito subjacente de ser inovador. No entanto, muitos acionistas e executivos estão demandando mais inovação, impulsionados pela necessidade de criar não só mercados maiores mas também mercados mais diversificados e com maior rentabilidade. Contudo, para poder chegar lá é necessário colocar estrutura, disciplina e estabelecer um sistema de medição da inovação.

Mas quem te ensinou a ser inovador? Que livros fizeram a sua leitura? Que cursos você fez? Qual a estrutura que você tem atrás de seus esforços para identificar iniciativas inovadoras e alcançar os resultados desejados? Você e seus colegas se sentem mais à vontade em um mundo em que a inovação é como uma arte? Mesmo se você é um inovador natural, o que acontece com as pessoas ao seu redor? Será que eles têm o mesmo talento que você? São todos eles naturalmente inovadores? E quanto à comunicação, você tem a capacidade de articular sua idéia de inovação com clareza e de forma rápida? Pode seu negócio sobreviver se inovação e criatividade forem considerados uma arte? Ou a inovação deveria ser estruturada, disciplinada, controlada e mensurável, semelhante às outras atividades desempenhadas na sua empresa?

Inovação como uma Arte

No passado, a inovação era adquirida por um pequeno e seleto grupo de indivíduos naturalmente inovadores. Essas pessoas pareciam ter um talento que ninguém poderia ou iria possuir. Estes indivíduos “especiais” proporcionavam um nível de conforto para as pessoas que eram analíticas, focadas na qualidade e na entrega de resultados tangíveis. Por que o nível de conforto? Porque eles poderiam ter a segurança de contar com o “talento” inovador que está dentro da empresa, enquanto eles se concentram naquilo que ocorre após uma solução inovadora ser aprovada. Curiosamente, no passado, algumas funções de negócios estavam integradas em uma só atividade. Houve uma época (há muito tempo) em que marketing, vendas e finanças eram uma só função. As empresas sempre se esforçaram para colocar um certo grau de estrutura nas funções que desempenham. Então por que você trataria a inovação de forma diferente? Você acha que as suas atividades de inovação deveriam ser uma arte ou uma ciência? À medida que aumenta a concorrência e os mercados se tornam cada vez mais dinâmicos, é bem provável que a inovação seja vista como uma ciência por uma grande maioria das empresas.

Inovação como uma Ciência

O que é uma ciência? Segundo o dicionário Merriam-Webster, ciência é “o estado de saber, o conhecimento como distinto da ignorância ou má interpretação, um departamento de conhecimento sistematizado como um objeto de estudo; algo (como um método ou técnica), que pode ser estudado ou aprendido como conhecimento sistematizado, o conhecimento ou um sistema de conhecimento que abrange verdades gerais ou a operação de leis gerais especialmente obtidas e testadas através do método científico.”

Em sua opinião, a inovação é uma ciência em sua organização? Por que você deveria tratá-la de forma diferente? Não deveria ser como qualquer outra função de negócios? Como uma coisa tão crítica, como a solução de problemas complexos de sua empresa, deveria ser considerada? Seria possível que um conjunto de habilidades e ferramentas para a inovação pudesse tornar você um melhor funcionário? Isso tornaria você e seu departamento mais eficaz?

Criando estrutura para o Processo de Inovação

A inovação não é a única função que fez a transição de ser controlada por um pequeno grupo de indivíduos talentosos para algo que pode ser feito pelas massas. Um exemplo disso vem da matemática – nos tempos dos romanos, o uso de algarismos romanos tornava a operação de divisão muito complicada. Naquele ponto da história, a operação de divisão de longos números era vista como uma capacidade para gênios ou pessoas excepcionalmente inteligentes. Todavia, com o advento do sistema de numeração árabe (especificamente o conceito de zero) a operação de divisão longa se tornou uma habilidade que poderia ser ensinada a todos, inclusive crianças. Será que isso significa que todas as crianças passaram a ser gênios? Ou seria apenas uma transição da arte à ciência? Mais recentemente, você viu que a Qualidade passou de "inspecionar peças ao final do processo produtivo" para a análise contínua da Qualidade da matéria-prima durante o processo de produção, utilizando métodos tais como Seis Sigma, Lean (ou produção enxuta) e Desenho para Seis Sigma; ou seja, uma coleção de métodos baseados em ciência, ferramentas e técnicas que podem ser facilmente ensinadas, aprendidas e aplicadas. Hoje em dia, não é um fato comum no mundo dos negócios a implantação de processos estruturados, confiáveis e repetitivos para você poder executar as tarefas do dia-a-dia? Por que a inovação seria diferente?

A Inovação está se tornando uma Ciência

Hoje, existem métodos, ferramentas e técnicas que podem ser aplicadas para facilitar o êxito da resolução de qualquer problema complexo, utilizando abordagens estruturadas para inovação. Como resultado de extensa pesquisa ao longo dos últimos 60 anos, a inovação tem evoluído consideravelmente. A inovação é cada vez mais controlável e os seus resultados são cada vez mais mensuráveis – e isso é muito bom para o seu negócio. Não seja vítima da idéia de que a inovação é um talento "criativo" adquirido por um pequeno grupo de pessoas. Ao adicionar estrutura e disciplina ao processo de inovação, a sua empresa pode se tornar líder de mercado e permancer à frente da concorrência, obtendo melhores resultados mais rapidamente.

Alexis Gonçalves é membro do Conselho Diretivo da American Society for Quality e gestor sênior da Pfizer em Nova York, onde lidera a implantação do programa de Inovação na área de Tecnologia em Negócios. Alexis também é autor dos livros "Innovation Hardwired” e “Herramientas Avanzadas de Innovación”.

 

 

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