Na busca pela próxima aposta bilionária da rede, fundo de investimento aposta em profissionais que criam experiências agradáveis

Facebook, Google, Apple: todas as empresas iniciadas por hackers de um jeito ou de outro cresceram rápido e mudaram o mundo. É um modelo que ainda motiva cientistas da computação e engenheiros que apostam em suas próprias startups, as empresas iniciantes, de tecnologia. Mas a próxima companhia a fazer parte dessa lista de sucessos pode ser fundada por um designer, não um hacker, se os investidores de um novo fundo do Vale do Silício estiverem certos. O fundo Designer focará em empresas de webdesigners e designers de produto e não apenas em engenheiros, na esperança de criar mais startups de tecnologia voltadas a experiências atraentes para o usuário.

Dave McLure e Dany Wen: integrando habilidades
NYT/The New York Times
Dave McLure e Dany Wen: integrando habilidades
O fundo, que faz parte da empresa de venture capital 500 Startups, de Dave McLure, que recentemente esteve no Brasil, atuará como incubadora de empresas em estágio inicial de tecnologia, injetando capital inicial e gestão, em troca de participação no empreendimento.

"No mundo das startups, os designers muitas vezes são trazidos depois que os engenheiros construíram tudo", diz Enrique Allen, coordenador do novo fundo. Eles podem até ter tarefas específicas, como fazer o design do logotipo mas, uma empresa fundada ou, pelo menos, cofundada por um designer sempre tem mais do que apenas um visual agradável de se olhar. "Um designer-fundador pode trazer ideias voltadas ao usuário, de interfaces e experiências à arquitetura de informação ligada à marca. Achamos que o mundo seria um lugar melhor se mais produtos feitos por designer-fundadores crescessem rapidamente." Ele aponta para o Flickr, Tumblr e YouTube como exemplos de empresas de sucesso criada por designers.

Allen afirma que os consumidores de hoje estão mais sofisticados, o que significa que os serviços da internet e móvel precisam se concentrar em "criar mecanismos emocionais que façam as pessoas voltar (ao invés) de apenas construir apelos técnicos." Que é evidenciado, ele diz, por características que as maiores empresas do Vale do Silício enfatizam em seus projetos. "O Facebook, o Square e o Twitter explicitamente usam a retórica do design como uma estratégia para diferenciar-se e reter talentos", diz ele.

Designers de primeira linha estão sendo convidados a investir seu próprio dinheiro no novo fundo como investidores anjo. Allen espera arrecadar milhões de dólares, estar pronto para captar recursos no próximo mês e financiar dois ou três startups. Ele fará mais do que distribuir dinheiro: a equipe de 500 startups que já gere e os investidores do fundo vão oferecer orientação às empresas que receberão o financiamento e aos designers que ainda não formaram uma empresa. "Esta carreira não existia para eles antes", diz.

Danny Wen, um webdesigner e cofundador da startup Harvest, de Nova York, que oferece um serviço de controle e emissão de notas fiscais online para pequenas empresas, acredita que trazer designers para o mundo das startups deve resultar em melhores produtos, porque a experiência do usuário será testada antes de ser lançada. Antes de começar a trabalhar nos aplicativos móveis da Harvest, a empresa passou semanas apenas esboçando idéias, ele observa.

No entanto, Wen diz que, mesmo quando os designers assumirem, ainda será necessário engenheiros. "É insensato pensar que uma área funciona sem a outra", diz ele. "Um designer-fundador que tem visão de negócios e uma compreensão de engenharia estará em vantagem." É exatamente isso que Allen espera que seu apoio e a orientação dos investidores ajudarão a criar, embora seu time dos sonhos de uma startup tenha mais recursos do que apenas designers. "A trifeta ideal", diz ele, "é um líder técnico, um designer e um tipo de voltado a negócios".

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