O governo britânico vai nacionalizar o banco Bradford & Bingley. O Tesouro conduz negociações sobre o resgate do banco e informou ontem que as discussões continuam.

Um comunicado completo será feito pelo ministro das Finanças, Alistair Darling, antes da abertura dos mercados hoje.

O Santander vai comprar os depósitos e a rede de agências do Bradford, de acordo com o banco espanhol. A instituição assumirá cerca de 22 bilhões de libras (US$ 40,53 bilhões) em depósitos, correspondentes a 2,5 milhões de poupadores. O banco espanhol também vai adquirir 197 agências que o Bradford tem no país.

A BBC informou que o Bradford será estatizado e seus ativos de hipotecas serão unidos com os da Northern Rock, instituição estatizada em fevereiro. O governo intermediou neste mês a aquisição do HBOS, a maior empresa de hipotecas da Grã-Bretanha, pelo concorrente Lloyds TSB e está intervindo novamente.

"Temos muito claro que os poupadores e correntistas comuns devem ser protegidos adequadamente e que eles serão parte do acordo que vamos determinar", disse à BBC a ministra do Tesouro, Yvette Cooper. Ela disse que as negociações ainda estão sendo encaminhadas, mas que o governo tem como objetivo sustentar a estabilidade financeira do sistema bancário.

O Bradford foi atingido pela crise financeira global, disseminada pelas perdas sobre hipotecas de má qualidade nos Estados Unidos, que já deixou grandes vítimas nos Estados Unidos e na Europa. As ações do Bradford perderam mais de 90% de seu valor e alguns correntistas tiraram dinheiro do banco. O anúncio de uma solução é esperado para antes da abertura do mercado hoje.

Criado em 1964, o Bradford se desenvolveu em um nicho lucrativo, oferecendo empréstimos para investidores e proprietários de terras que foram participantes ativos da expansão do mercado imobiliário local. O banco tem uma carteira de empréstimos de 50 bilhões de libras (US$ 92 bilhões), que será assumida pelo governo.

O colapso do Bradford e os problemas no mercado imobiliário e de hipotecas aumentaram a especulação de que o governo britânico terá de criar seu próprio plano para comprar papéis ruins de hipotecas de instituições financeiras, assim como fez o governo americano.

O executivo de um grande banco britânico afirmou que as grandes instituições não pediram ao governo nenhuma proposta desse tipo. Apesar de HSBC, Barclays e Royal Bank of Scotland terem sofrido com a crise de crédito, eles ainda não parecem estar numa situação financeira difícil.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.