Bruxelas, 26 out (EFE).- O grupo holandês ING anunciou hoje que vai separar suas atividades bancárias e de seguros, para deixar as segundas de forma gradual, afirmando que irá emitir títulos no valor de 7,5 bilhões de euros para devolver parte das ajudas que recebeu do Estado diante a crise financeira.

A decisão faz parte do plano de reestruturação que a entidade já apresentou à Comissão Europeia (CE) e que espera iniciar durante os próximos quatro anos, segundo um comunicado do grupo.

O porta-voz comunitário de concorrência, Jonathan Todd, evitou entrar em detalhes sobre a colocação do ING e se limitou a assinalar que se produziram avanços nas últimas semanas nos contatos com as autoridades holandesas.

Confirmou que estes avanços se referem tanto ao plano de reestruturação do ING como à garantia oferecida pelo Estado holandês para os ativos tóxicos da entidade, que a CE decidiu investigar em setembro.

"A CE espera poder tomar uma decisão nas próximas semanas", acrescentou Todd.

O objetivo do ING é voltar à colocação inicial de seu negócio através do desinvestimento em todas as operações de seguros (incluída a gestão de investimento) através de ofertas públicas, vendas ou uma combinação de ambas vias.

Segundo o executivo-chefe de ING, Jan Hommen, as medidas anunciadas buscam resolver a incerteza criada pela crise financeira, que obrigou o Governo holandês resgatar à entidade em duas ocasiões, em outubro de 2008 e janeiro de 2009.

Hommen assegura em comunicado que durante os últimos seis meses ING trabalhou de perto com o Executivo holandês e a CE para encontrar a maneira de devolver as ajudas recebidas, assegurar a viabilidade da entidade e evitar um impacto negativo na concorrência do setor.

Para devolver as ajudas, o ING prevê comprar até janeiro de 2010, por 5 bilhões de euros, as ações que o Governo holandês adquiriu.

ING pagará dez euros por ação mais uma parcela de 950 milhões de euros e, para financiar a operação, emitirá títulos no valor de 7,5 bilhões de euros.

O ING tinha recebido uma injeção de capital de 10 bilhões de euros em outubro de 2008 e uma garantia estatal para seus ativos tóxicos, procedentes em sua maioria de hipotecas americanas de alto risco. EFE mrn/fk

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