Terceiro maior credor da Vasp, depois dos empregados da empresa e da Receita, a Infraero está se movimentando para recuperar um prejuízo calculado em R$ 360 milhões, a preços de 2005. Como grande credor da Vasp, já estamos nos habilitando a receber essa dívida, que pode dobrar de valor com a atualização monetária e a contabilidade do uso de galpões, hangares, lojas e escritórios em dependências da Infraero, que nunca foram pagos, prevê o presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi.

Segundo a procuradora-chefe da Infraero, Emiliana Alves Lara, só no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, a Vasp utilizava nada menos do que 126 mil m² que, só agora, depois da decretação da falência, serão recuperados. Quando a companhia ficou inadimplente, há três anos, a Infraero tentou reaver essas áreas na Justiça e até ganhou uma ação de reintegração de posse. "Ganhamos, mas não levamos", diz a ex-advogada da União que agora chefia o jurídico da Infraero. A empresa não pôde retomar as áreas porque a Vasp simplesmente deixou para trás tudo que havia lá, de equipamentos aos aviões. Emiliana lembra que só um dos hangares da Vasp em Congonhas possui três andares, totalmente ocupados por peças e equipamentos, incluindo motores.

"Foi por isso que pedimos a falência", explica a procuradora, ao lembrar que mais de 15 aviões foram abandonados. "Só em Congonhas, nove aviões precisam ser retirados", completa Gaudenzi. Ambos estão convencidos de que a decretação da falência foi uma boa medida do ponto de vista da Infraero, mas a procuradora ainda examina a decisão do juiz em detalhes para ver que providências tomar.

Com a falência decretada, Emiliana acredita que não apenas os bens da Vasp, como de outras empresas do empresário Wagner Canhedo, ficarão bloqueados. Segundo o departamento jurídico da Infraero, não só os aviões, máquinas e equipamentos da Vasp, como fazendas e até ônibus das empresas de propriedade de Canhedo foram seqüestrados pela Justiça.

O que preocupa Gaudenzi e a procuradora é o fato de o juiz ter colocado a Infraero como depositária dos bens que a Vasp abandonou em Congonhas. "Isso nós não queremos, porque são 43 instalações e ainda nem sabemos o que tem lá dentro", argumenta Emiliana. A seu ver, antes de lacrar cada instalação e entregar a guarda à empresa, é preciso inventariar tudo. A Infraero quer listar todos os bens que ficarão sob sua responsabilidade, até que sejam leiloados e passem a integrar a chamada massa falida da companhia.

Os 126 mil m² da Vasp em Congonhas já estão interditados. Só se entra em um hangar com autorização judicial. Como a Infraero tem pressa em resolver o assunto, colabora com a segurança e o inventário dos bens. Tudo com o devido cuidado, já que há até material radioativo armazenado.

A procuradora Emiliana Lara explica que a idéia é encerrar o processo em 90 dias, e diz que várias empresas já manifestaram interesse em adquirir equipamentos da Vasp. Para apressar o desfecho, a Infraero está examinando a possibilidade de fazer convênios com a Aeronáutica. O objetivo é usar especialistas que têm intimidade com equipamentos aeronáuticos para executar o chamado "mandado de arrecadação e avaliação" determinado pela Justiça, que nada mais é do que o levantamento dos bens a serem leiloados.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.