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Influência do dólar no IGP pode aumentar nos próximos meses, crê FGV

RIO - A valorização do dólar já se fez sentir na inflação registrada pelo Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) em outubro, embora o efeito não tenha sido o principal fator de aceleração do indicador, que saiu de uma queda de 0,42% em setembro para um acréscimo de 0,78% no mês seguinte. De acordo com Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas do Ibre-FGV, a aceleração do IGP-10 foi puxada pelos Alimentos, mas o principal impacto não veio dos produtos relacionados com o câmbio. Dois terços da aceleração do Índice de Preços do Atacado (IPA) - que saiu de um recuo de 0,75% para uma elevação de 0,98% entre setembro e outubro, partiram da soja, tomate e mandioca, que, juntos, contribuíram com 1,20 ponto percentual do avanço de 1,73 ponto percentual do IPA na base mensal. Estes três produtos - soja, tomate e mandioca - responderam, segundo Quadros, por 60% do aumento de 1,20 ponto percentual do IGP-10. O preço da soja subiu 2,49% este mês, depois de recuar 7,75% em setembro.

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A mandioca aumentou 29,46%, seguindo queda de 5,71% no mês passado. Depois de cair 47,37% em setembro, o tomate teve elevação de 12,76% agora. Esses três itens contribuíram para que o IGP-10 tivesse a aceleração mensal mais marcado desde novembro de 2002, enquanto o IPA-10 registrou a maior aceleração de julho de 1999.

Segundo Quadros, apesar do preço dolarizado, a principal razão para a alta da soja não foi o efeito do câmbio, mas o comportamento do preço do produto no mercado internacional, enquanto o tomate e a mandioca não sofrem influência do dólar.

O economista frisou que o impacto do câmbio foi maior entre os industrializados. "Não é pela área agrícola que o câmbio está se refletindo no IPA e IGP", afirmou Quadros. "O câmbio ainda é secundário no IGP de hoje", acrescentou.

Ele comentou que a grande influência do câmbio está nos bens intermediários no atacado, que passaram de 0,81% de alta para 1,21% entre setembro e outubro. No grupo Materiais e componentes para manufaturas, que tem grande incidência de preços atrelados ao dólar e tem peso de 18,16% no IPA, houve aceleração de 0,08% em setembro para 1,03% no mês seguinte.

O preço da amônia, insumo usado na fabricação de fertilizantes, pulou de 2,31% para 20,45%. A celulose saiu de 2,63% para 13,20% entre o mês passado e este.

"Há alguns produtos no IPA em que o efeito do câmbio prevalece", explicou Quadros.

Para os próximos meses, ele acredita que o efeito do câmbio poderá aumentar sobre os IGPs. "O efeito do câmbio sobre o IPA ainda tem espaço para crescer", ressaltou. "Mas nada que se assemelhe a 2002, quando o dólar passou seis meses subindo. Acho que agora que o fenômeno é completamente diferente", concluiu.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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