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Inflação pesa e consumidor fica mais pessimista

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O consumidor brasileiro não está satisfeito com a atual situação econômica e as perspectivas para o futuro também não são das melhores, mostrou pesquisa divulgada nesta quarta-feira. A alta da inflação impulsionada pela pressão dos alimentos está deixando o consumidor pessimista, o que provocou em julho a segunda queda consecutiva do índice de confiança da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Reuters |

Depois de cair 6,5 por cento em junho, o índice apresentou uma queda de 4,9 por cento em julho, alcançando o pior nível em quase dois anos.

A queda acumulada nesse dois meses é de 11 por cento, a mais aguda da série histórica iniciada em 2005, segundo cálculos da FGV.

'O índice atingiu um nível baixo, quase de desconfiança...

a inflação mais alta está muito presente nesse pessimismo', disse o economista Aloisio Campelo, da FGV.

'A avaliação do consumidor está impregnada pela inflação mais alta que traz uma sensação de piora financeira. O consumidor está vendo que as coisas a sua volta estão mudando para pior, embora a situação da família ainda não esteja sendo impactada', acrescentou.

Segundo a FGV, o pessimismo do consumidor é generalizado e atinge todas as faixas de renda.

'Tanto as avaliações sobre a situação atual quanto as expectativas em relação aos próximos meses foram piores que as realizadas em junho', afirmou a FGV em comunicado.

INFLAÇÃO EM ALTA

Os consumidores projetavam em junho que a inflação em 2008 seria de 7,1 por cento. Em julho, a estimativa subiu para 7,4 por cento, maior patamar desde fevereiro de 2006.

Além disso, entre um mês e outro houve um aumento recorde no número de consumidores que esperam uma elevação na taxa de juro e uma redução no percentual dos que apostam em uma queda da Selic nos próximos seis meses.

Nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve elevar a taxa básica de juro pela terceira vez consecutiva, para tentar trazer a inflação de volta à trajetória das metas fixadas pelo governo.

Com inflação em alta e juro em trajetória ascedente, o brasileiro pretende frear o consumo de bens duráveis. Em julho, a previsão de compra desse tipo de bem caiu para o nível mais baixo desde maio do ano passado.

'O consumidor mais cauteloso e desanimado compra menos e, isso vai impactar no PIB (Produto Interno Bruto) e inflação', afirmou o economista da FGV.

'Se a inflação é o que mais incomoda o consumidor no momento, é possível que a confiança continue caindo em agosto', acrescentou Campelo.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Renato Andrade; Edição de Vanessa Stelzer)

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