RIO - A pressão dos preços dos alimentos e a projeção de alta para alguns itens administrados pode fazer com que a taxa do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulada em 12 meses atinja, nos próximos meses, o teto da meta perseguida pelo Banco Central (BC), de 4,5%, com variação de dois pontos para cima ou para baixo.

Com a continuidade da pressão dos alimentos e com a alta dos administrados, não é improvável que a taxa de 12 meses atinja 6,5% , ressaltou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de índices de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Eulina ponderou que as evidências demonstram que os preços dos alimentos continuam com tendência de alta e que, a partir de julho, alguns preços administrados, que vêm contribuindo para segurar a taxa do IPCA em 2008, vão sofrer pressões de elevação. Para que a taxa acumulada em 12 meses chegue a 6,5% já em julho, o IPCA deve ficar em 0,66%. Em julho do ano passado, a inflação medida pelo IBGE foi de 0,24%.

Para este mês, Eulina ressaltou que haverá aumento da taxa de água e esgoto em Porto Alegre (8,5%), Belém (11,7%) e Fortaleza (6%), além de elevação de 6% nas tarifas de ônibus interestaduais, de 17% no gás natural veicular e de 2,5% no óleo diesel.

A energia elétrica, que tem peso de 3,3% no IPCA e acumula baixa de 1,13% este ano, também deve voltar a pressionar o índice, graças a um reajuste de 8% nas tarifas da Eletropaulo (acompanhado de uma queda de 3,3% do PIS/Cofins) e a uma alta de 2% em Curitiba. Além disso, houve reajuste de 7% do álcool nas usinas em 1º de julho.

Em julho, além da alta dos alimentos, que não mostram tendência de recuos, ainda há impactos de alguns administrados, que vinham contribuindo para segurar a taxa. Considerando a taxa de 12 meses, indicação é de que ela continue crescendo em julho , frisou Eulina.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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