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Inflação passa de 6% em 12 meses pela 1ª vez desde 2005

RIO DE JANEIRO - A inflação oficial do País desacelerou em junho, mas no acumulado em 12 meses ultrapassou a marca dos 6% pela primeira vez desde novembro de 2005, o que pode ser mais um elemento de preocupação para o Banco Central.

Redação com agências |

 

A inflação de junho pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,74%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em maio, a inflação pelo IPCA havia sido de 0,79%. Em junho de 2007, o indicador avançou 0,28%.

Nos 12 meses terminados em junho, a inflação medida pelo indicador situou-se em 6,06%, excedendo os 5,58% apurados nos 12 meses imediatamente anteriores.

A inflação de 3,64% no primeiro semestre deste ano pelo IPCA é a maior taxa apurada para os seis primeiros meses de um ano desde 2003, quando chegou a 6,64%.

Alimentos

Os produtos alimentícios registraram alta de 2,11% no IPCA em junho, ante 1,95% em maio, informou o IBGE. Com a alta, o grupo de alimentos contribuiu com 0,47 ponto porcentual, ou 63% da inflação medida pelo IPCA apurada no mês passado, que ficou em 0,74% ante 0,79% em maio.

No primeiro semestre deste ano, os produtos alimentícios já acumulam alta de 8,64% e, no período de 12 meses até junho, de 15,79%.

As principais variações entre os alimentos em junho foram registradas no arroz (9,90%); feijão carioca (15,55%) e carnes (6,91%). Aliás, o item carnes deu a maior contribuição individual (0,14 ponto porcentual) no IPCA de junho.

Outros produtos

A "pequena desaceleração" apurada no IPCA de junho foi provocada pelo grupo dos produtos não alimentícios, observou hoje a coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos. No mês passado, os produtos desse grupo registraram alta de 0,34%, ante 0,46% em maio.

Os reajustes registrados nos não alimentícios em junho foram apurados no gás encanado (8,76%); gás veicular (8,31%); passagens aéreas (3,70%); artigos de higiene pessoal (1,29%), artigos de limpeza (1,33%) e salário de empregado doméstico (1,04%).

No que diz respeito aos combustíveis, não houve variação de preços em junho, já que as altas no gás veicular e no óleo diesel (1,53%) foram compensadas pelas quedas nos preços do álcool (-1,94%) e da gasolina (-0,08%).

Índice



O IPCA é o índice oficial utilizado pelo Banco Central para cumprir o regime de metas de inflação, determinado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O centro da meta de inflação para 2008 foi estabelecido em 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo.

A aceleração do indicador nos últimos meses fez com que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevasse o juro duas vezes seguidas desde abril para tentar conter o avanço dos preços.

A taxa básica de juro do país, a Selic, está atualmente em 12,25%. O Banco Central estima que o IPCA fechará o ano com alta de 6%.

No Relatório de Inflação do segundo trimestre, o BC afirmou que existe 25% de chance da inflação ultrapassar o teto da meta, de 6,5%, neste ano.

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980 e se refere às famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos e abrange nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e de Brasília.

Com informações da Agência Estado, da Reuters e do Valor Online

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