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O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) da Argentina anunciou hoje que a inflação oficial de junho foi de 0,6%. O anúncio foi repudiado por economistas independentes e associações de defesa do consumidor, que retrucam o índice oficial e sustentam que a inflação real do mês passado foi substancialmente superior.

Estas estimativas, dependendo da consultoria, oscilam entre 1,5% e 2,2%.

O índice elaborado pelo Indec é suspeito de manipulação desde janeiro de 2007. Funcionários do próprio Indec realizaram hoje um "abraço" simbólico ao redor da sede do organismo em protesto contra a "maquiagem" realizada pelos chefes. Segundo os dados do governo argentino, a inflação acumulada no primeiro semestre deste ano seria de 4,6%. Os economistas independentes afirmam que a inflação "real" é pelo menos de 12%. A inflação acumulada dos últimos 12 meses, segundo o governo, foi de 9,2%. Mas, a consultoria Orlando Ferreres e Associados sustenta que nesse período a inflação "real" aumentou entre 25% e 27%.

Há poucos dias um relatório do banco de investimentos Morgan Stanley indicou que "a medição real da inflação continuará mostrando uma alta de preços duas vezes superior ao índice reconhecido pelas estatísticas oficiais". Na quarta-feira, Francisco Luzón, diretor executivo do Banco Santander (e sua máxima autoridade para a América Latina), sustentou na Espanha em relação ao governo argentino: "é preciso ser sincero com os dados, falar claro à população e seguir para a frente".