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Os altos índices de inflação registrados de junho de 2007 ao mês passado não causaram grande impacto nos preços dos veículos. Algumas montadoras estão conseguindo até reduzir seus valores de tabela.

"Com o mercado aquecido, há grande competição entre as fabricantes, o que leva a uma política de preços agressiva", diz Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac, a associação dos executivos de finanças.

Segundo informações da Anfavea, a associação das montadoras, o preço do carro zero-km subiu em média 2,5% de junho de 2007 ao mesmo mês deste ano. Nesse período, houve alta de 6,06% (a maior desde 2003) no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado pelo governo para calcular a meta de inflação.

Oliveira diz que a competição deve manter o reajuste nos preços dos veículos abaixo da inflação. "Montadoras estão oferecendo novas gerações de seus carros com tabelas iguais ou menores que as das antigas." É o caso do Peugeot 207, sucessor do 206. O hatch, que chega em agosto, ficou R$ 1,5 mil mais barato - a partir de R$ 37. 790.

Outro exemplo veio da Fiat, que esta semana reduziu os preços da linha Idea. A versão topo do modelo, Adventure, foi a que passou por maior queda. Está R$ 1,7 mil mais em conta e agora é oferecida por R$ 55.250.

"As fabricantes não repassaram aos clientes os reajustes de matérias-primas", diz Jackson Schneider, presidente da Anfavea. "O aço, por exemplo, subiu cerca de 40%." Segundo o executivo, os veículos vêm impedindo uma alta maior no IPCA.

Financiamentos

"A maioria das compras de bens de alto valor é definida pelo tamanho da prestação", diz Fábio Gallo, professor de Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os veículos seguem essa regra.

"O reajuste médio nos preços dos automóveis quase não afetou o valor final da parcela do financiamento", diz Miguel de Oliveira. Por isso, as vendas continuaram crescendo no período.

Numa simulação de parcelamento em 72 meses, sem entrada, para um veículo de R$ 25 mil, o cliente que o adquire hoje paga exatos R$ 13,27 a mais do que quem o comprou há um ano.

"O cliente não deixará de comprar veículos enquanto a economia estiver estável", afirma Oliveira.

Mas se os preços de automóveis tivessem acompanhado o IPCA, a situação seria outra. Nas mesmas condições da simulação anterior, a prestação do carro hoje ficaria R$ 150,84 maior.

À vista, o preço do veículo subiria R$ 1.515. As simulações foram feitas por especialistas da área financeira, considerando alta na taxa de juros de 2,5% para 3% nos últimos 12 meses.