Rio de Janeiro, 25 ago (EFE).- O aumento da inflação está afetando negativamente os hábitos de consumo de aproximadamente 80% das famílias brasileiras, segundo uma pesquisa divulgada hoje pelo centro de estudos da Fundação Getulio Vargas.

A parte mais afetada, segundo o estudo, foram as famílias de renda de até R$ 2.100 reais ao mês, segmento em que 87,8% declararam ter mudado seus padrões de consumo.

No outro extremo, as famílias com renda superior a R$ 9.600 também tiveram que fazer restrições por causa do aumento dos preços, embora de forma mais comedida. Delas, 72,4% afirmaram ter mudado seus hábitos na hora das compras.

A maioria dos entrevistados (61,6%) disse que os alimentos foi o elemento que mais abalou seus orçamentos.

O aumento do custo das tarifas de serviços de eletricidade, água e telefonia também foram citados por 22,9% dos entrevistados.

Para aliviar o peso do aumento dos preços, 35,4% dos que declararam sofrer com a inflação afirmaram que estão tentando reduzir despesas, enquanto 44,5% estão substituindo os produtos e serviços que consumiam por outros mais baratos.

A inflação do Brasil ficou em 4,46% no fechamento do ano de 2007 e nos primeiros meses deste ano foi para os 6,37% registrados em julho, em termos anuais.

A meta do Banco Central para este ano foi fixada em 4,5%, com dois pontos percentuais de tolerância acima ou abaixo desta margem.

Quanto às perspectivas futuras, a maioria (49,8%) dos entrevistados se mostrou otimista com relação ao crescimento da economia nos próximos cinco anos, embora os resultados tenham sido menos otimistas em relação aos dados registrados no ano passado.

Para 35,9%, a economia brasileira manterá seu ritmo de crescimento dos últimos anos, enquanto 14,3% se mostraram pessimistas quanto ao assunto.

Em 2007, o otimismo foi 3,4 pontos percentuais superior e o número de pessimistas era 5,7 pontos percentuais inferior ao obtido este ano.

Os dados foram obtidos através de uma pesquisa realizada em mais de dois mil domicílios de sete capitais brasileiras. EFE mp/ab/rr

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.