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Inflação maior e expansão mais lenta do crédito desaceleram atividade industrial, diz CNI

BRASÍLIA - O faturamento real da indústria voltou a crescer em maio, depois de recuar em março e abril. Mas a elevação de 1,1% (índice com ajuste sazonal) foi metade do avanço de 2,2% apurado do mesmo mês de 2007, indicando que o ritmo de expansão deve arrefecer no segundo semestre, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Valor Online |

A inflação, a redução no ritmo de expansão do crédito e os gastos menores do governo já estão afetando as vendas, embora ainda não se possa falar de redução drástica, avaliou o economista da CNI, Paulo Mol. O fato concreto é que a inflação, ainda mais de alimentos, corrói a renda e o consumidor adia compras de bens duráveis, prosseguiu.

Não se espera uma queda abrupta, disse ele. Mas o cenário distinto do que ocorreu em 2007 aponta para um certo arrefecimento no crescimento das vendas da indústria, continuou. E já não esperamos que se repita a evolução do ano passado, disse Mol, quando o setor acumulou alta de 5,4% no faturamento.

A economia não está indo para o buraco, mas as grandes empresas já estão olhando o cenário com mais cautela, em vista dos indícios de inflexão, de que haverá redução no ritmo de crescimento, comentou outro economista da CNI, Renato da Fonseca.

Mol evita falar em desaceleração forte, afirmando que ainda é cedo para uma avaliação sobre os resultados globais da indústria, em especial os efeitos da nova trajetória de alta dos juros desde abril.

Ele destaca que no acumulado de janeiro a maio, o faturamento industrial acumula crescimento de 7,9% (índice original), patamar superior aos 5% verificados em igual período de 2007. E também é significativa a alta de 5,8% acumulada em igual intervalo do indicador que aponta a produção (horas trabalhadas), ante 2,9% do ano anterior.

Outro fator positivo apontado pelo economista da CNI é o fato de que a indústria de máquinas e equipamentos (bens de capital) está entre os três setores que continuam a liderar em vendas, produção e emprego, junto com veículos e outros equipamentos de transporte.

Com a expansão dos bens de capital a taxas anuais de 20%, a leitura é a de que o crescimento vai se desacelerar, mas de forma um pouco mais lenta, diz Mol, pois significa que os demais setores da economia e a própria indústria de transformação estão investindo na modernização da produção.

Os dados da CNI mostram uso da capacidade instalada (UCI) elevada e constante desde setembro de 2007, com média de 83,2% em maio (índice original), acumulando 1 ponto percentual de aumento no ano.

Segundo Fonseca, os níveis de UCI refletem investimentos iniciados no fim de 2006, quando a curva desse indicador começou a trajetória de expansão. O ritmo de maturação dos investimentos começou a se aproximar do ritmo da demanda, avalia o economista. Não há descompasso no sentido de que a demanda aquecida não é atendida, afirmou.

Ele ponderou ainda que somente no próximo mês será possível avaliar melhor se houve queda no otimismo do empresariado em relação às expectativas futuras para a economia brasileira. Uma nova sondagem da CNI pretende apurar se a indústria vai reduzir os investimentos, dado o novo cenário de inflação e juros altos.

Ainda em maio, a CNI apurou um fato novo em relação ao uso do parque fabril. Um maior número (10) de setores apresentaram queda de UCI, ante os que aumentaram (sete). Com a liderança das montadoras de veículos, o setor de couro e calçados, que amargou quase três anos de inversão por perdas cambiais, foi o segundo a mais expandir a UCI.

O aumentou foi 2,1% sobre maio anterior, explicado, segundo Mol, pela nova estratégia do setor de calçados que busca fusão de pequenas com empresas mais sólidas, que estão apostando na qualidade para ganhar em preços nas vendas ao exterior.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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