Os resultados do rendimento real dos trabalhadores ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País (São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre) confirmam uma desaceleração no crescimento da renda, segundo o gerente da pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo. Para ele, o aumento da inflação é um dos principais fatores, mas não o único, a explicar essa perda de ritmo na expansão da renda.

Ele cita também a possibilidade de que os trabalhadores não estejam sendo bem-sucedidos nas negociações de reajustes salariais. Além disso, de acordo com Azeredo, a entrada de mais pessoas no mercado de trabalho costuma puxar a renda para baixo, já que os salários iniciais são inferiores aos pagos para quem já trabalha há mais tempo.

Em junho, na comparação a maio, a renda média real caiu 0,3% e subiu apenas 1,7% ante junho de 2007. A variação ante igual mês do ano passado é bem menor, por exemplo, do que a apurada em junho de 2007 ante igual mês de 2006, quando foi de 2,7%.

Os dados semestrais também confirmam a desaceleração. No primeiro semestre de 2008 a renda média real foi de R$ 1.220,94 nas seis regiões, com aumento de 2,3% ante igual semestre do ano passado. No primeiro semestre de 2007, havia sido registrado um crescimento na renda de 4,4% em relação a igual período de 2006. "Há uma desaceleração clara no aumento do rendimento e a inflação é um dos principais fatores para explicar isso, mas não o único", disse.

Ele sublinhou que o rendimento médio real de R$ 1.216,50 na média das seis regiões apurado em junho ainda não chegou ao patamar de igual mês do ano de 2002, quando era de R$ 1.269,45.

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