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Inflação já afeta vendas do varejo

A expansão da renda, a estabilidade no emprego e a oferta de crédito garantiram, mais uma vez, crescimento vigoroso do comércio: 10,6% de aumento nas vendas no primeiro semestre, a maior alta semestral desde o início da série histórica da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, em 2001. Apesar da alta recorde, os resultados de junho já mostraram efeito negativo da disparada da inflação dos alimentos.

Agência Estado |

A atividade de hiper, supermercados e produtos alimentícios, que tem o maior peso no cálculo das estatísticas, registrou resultados bem abaixo da média do comércio em junho. Desempenho que o técnico da coordenação de serviços e comércio do IBGE, Reinaldo Pereira, credita à alta de preços. Segundo ele, a elevação da taxa básica de juros (Selic) ainda não afetou o comércio.

Em junho, ante maio, as vendas desse segmento tiveram alta de 0,4%, enquanto o varejo em geral apresentou expansão de 1,3%. Na comparação com igual mês do ano passado, o aumento na atividade foi de apenas 1,5%, enquanto o varejo cresceu 8,2%. Apesar da influência da alta inflacionária sobre os dados do varejo, Pereira não acredita que haja desaceleração nas vendas. "Está havendo uma influência da inflação de alimentos que parece que já está sendo revertida pelos índices de preços", disse.

O diretor-executivo do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV, que reúne as maiores redes varejistas do País), Emerson Kapaz, também avalia que as perspectivas são positivas para o varejo. "Com a perspectiva de inflação mais acomodada nos próximos meses, o setor deve manter um ritmo forte de crescimento", disse.

Segundo Kapaz, os dados do comércio varejista de junho e do primeiro semestre do ano permitem projetar uma expansão de 9,5% para o setor em 2008, resultado bem próximo do alcançado em 2007 (alta de 9,7%) e "extraordinário" diante da base de comparação elevada do ano passado.

De acordo com Kapaz, a continuidade do impulso do crédito tem permitido ao varejo uma adaptação tranqüila aos desafios apresentados pela alta dos juros e da inflação. "Houve um ajuste muito setorial de alimentos e bebidas, mas outros setores se beneficiaram do crédito, o que permitiu continuidade no aumento das vendas", disse.

Reinaldo Pereira também avalia que o efeito negativo da inflação sobre os resultados do varejo, que teriam sido ainda mais fortes sem o mau desempenho dos supermercados em junho, está sendo em parte compensado pela continuidade da oferta de crédito e do aumento da renda.

Mas os economistas da LCA Consultores elaboraram relatório sobre os resultados da pesquisa e, ao contrário de Pereira e Kapaz, esperam uma desaceleração dos dados do varejo nos próximos meses. Segundo o relatório, "olhando para o terceiro trimestre como um todo, as perspectivas parecem ser de desaceleração, como sinalizam a forte queda da confiança do consumidor nos últimos meses e a inflexão da tendência de alta das concessões de crédito para pessoa física".

Segmentos

Em junho, os segmentos que apresentaram os maiores impactos no crescimento do varejo, na comparação com igual mês do ano passado, têm forte correlação com o crédito. É o caso, por exemplo, de móveis e eletrodomésticos, atividade que, com expansão de 16,1%, respondeu sozinha por 2,5 pontos porcentuais da alta de 8,2% nas vendas do setor.

O maior crescimento nas vendas no primeiro semestre também foi apurado em segmentos vinculados ao crédito, como artigos de escritório e informática (30,9%), veículos e motos (22,3%) e móveis e eletrodomésticos (18,5%).

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