Por Vanessa Stelzer SÃO PAULO (Reuters) - A inflação acelerou no atacado brasileiro em fevereiro em razão da pressão da soja e saída de alguns alívios temporários, enquanto o varejo apontou um arrefecimento dos preços passados os efeitos sazonais do começo do ano.

Ambos os dados ficaram bem abaixo do esperado pelo mercado, levando as projeções de juros na BM&F a abrir o dia em queda, já que a inflação comportada somada à contínua fraqueza da atividade econômica reforça a previsão de novos cortes na Selic.

"O resultado abaixo do esperado... poderá baixar as projeções para março, já que os preços dos produtos industriais no atacado apresentaram-se em trajetória mais bem comportada do que o apontado pelas prévias deste indicador", afirmou a LCA Consultores em nota a clientes.

"Em adição, assim como visto no IPCA-15 de fevereiro, o dado do varejo também apontou para uma trajetória descendente dos preços dos alimentos no varejo."

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou nesta quinta-feira que o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) voltou a ficar positivo em fevereiro após dois meses de deflação, subindo 0,26 por cento ante queda de 0,44 por cento em janeiro. Analistas consultados pela Reuters previam alta de 0,44 por cento.

Outro dado da FGV, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) avançou 0,39 por cento na terceira prévia de fevereiro, ante elevação de 0,59 por cento na segunda. Foi o menor resultado desde meados de outubro e também ficou abaixo da previsão mediana dos economistas de 0,46 por cento.

No mercado de juros futuros, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2010 caía de 10,85 por cento ao ano no fechamento da véspera para 10,80 por cento.

Essa tendência deve se manter ao longo do dia. "As curvas de juros futuros deverão apresentar taxas menores do que as apresentadas ontem, influenciadas pelos dados de inflação", afirmaram os economistas do Bradesco em relatório.

ATACADO

Dentro do IGP-M, o Índice de Preços por Atacado (IPA) avançou 0,20 por cento em fevereiro, contra queda de 0,95 por cento em janeiro.

"Isto ocorreu por conta da aceleração em alguns itens com grande peso e que haviam apresentado forte deflação nos resultados mais recentes, como Veículos automotores, reboques, carrocerias e autopeças; Produtos derivados do petróleo e álcool; e Celulose, papel e produtos de papel", acrescentou a LCA.

A consultoria refere-se à redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos e a queda de alguns combustíveis em razão da baixa do petróleo.

A queda do IPA industrial foi reduzida para 0,18 por cento neste mês, ante 1,48 por cento no passado. O IPA agrícola acelerou a alta para 1,25 por cento, ante 0,55 por cento.

Entre os produtos individuais, no atacado os destaques de alta de fevereiro foram soja em grão, açúcar cristal, farelo de soja, açúcar refinado e milho em grão. A soja tem visto seu preço se elevar em razão de problemas climáticos afetando algumas importantes regiões produtoras no mundo. Os demais produtos alimentares in natura sofrem uma pressão de alta neste início de ano.

VAREJO

No IPC-S, os grupos Alimentação e Educação, leitura e recreação foram os principais responsáveis pelo arrefecimento da taxa.

Os preços de alimentos subiram 0,31 por cento na terceira leitura do mês, ante alta de 0,81 por cento na anterior. Destacaram-se a desaceleração dos custos de hortaliças e legumes, frutas e carnes bovinas.

Os de educação avançaram 1,25 por cento agora, ante elevação anterior de 1,93 por cento. Esse grupo tem um aumento sazonal de preços nos dois primeiros meses do ano, mas a pressão arrefece significativamente em seguida.

Entre os itens individuais, as maiores influências para baixo para o indicador foram as quedas de preços de tomate, maracujá, limão, mamão papaia e maçã nacional. Os destaques individuais de alta vieram de manga, tarifa de ônibus urbano, abacaxi, aluguel residencial e batata-inglesa.

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