O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke, afirmou que a inflação nos Estados Unidos está muito elevada e reiterou que a intenção do Fed é atingir a estabilidade dos preços. Os comentários de Bernanke, em resposta a perguntas do deputado republicano Ron Paul (Texas), um freqüente crítico do Fed, foram feitos depois de o Departamento do Trabalho dos EUA ter divulgado, esta manhã, que os preços aos consumidores subiram 1,1% em junho ante maio, o segundo maior aumento desde 1982 e o maior desde 2005.

Os preços ao consumidor subiram 5% em relação ao mesmo mês do ano passado, a maior taxa desde maio de 1991 e significativamente acima da faixa de 1,5% a 2% que as autoridades do Fed pretendem obter no longo prazo. "É muito importante para nós mantermos a estabilidade dos preços", afirmou Bernanke. O salto dos preços da energia e de matérias-primas (commodities) se deve a "fatores fora do controle do Federal Reserve", argumentou Bernanke.

Bernanke também disse no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados que os EUA precisam ter uma estratégia para energia e que "teria sido melhor solucionar essa questão algum tempo atrás". O presidente do Fed afirmou que uma estratégia para energia poderia até ter tido efeitos benéficos sobre os preços no curto prazo se uma preocupação menor quanto ao desequilíbrio entre oferta e demanda estivesse refletida nos preços de contratos futuros.

Recessão

Bernanke afirmou que as autoridades estão "equilibrando vários riscos" à economia e alertou contra gastar muito tempo debatendo se os EUA estão tecnicamente em recessão ou não. Para o presidente do Fed, a recessão é "uma determinação técnica" sobre a qual ele "não colocaria muito peso". "Eu não sei e tenho certa confiança de que as pessoas que irão determinar isso também não sabem", afirmou Bernanke ao ser questionado sobre se os Estados Unidos estão ou não em recessão.

O Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, um grupo acadêmico, faz a determinação oficial sobre se a economia está em recessão, com base em indicadores de produção e emprego, normalmente meses após o fato. "Não é tão relevante", disse Bernanke, uma vez que as famílias norte-americanas estão claramente enfrentando "um período difícil". Ele reiterou que espera fraco crescimento econômico no segundo semestre deste ano, com o setor imobiliário sem se recuperar até o final de 2008 ou o começo de 2009. Bernanke espera taxas mais normais de expansão no próximo ano.

O presidente do Fed disse ainda que, uma vez que a política monetária trabalha com atraso, o melhor que as autoridades podem fazer é estabelecer projeções e ajustar as políticas com base nelas. "Vamos responder às condições conforme elas evoluírem", afirmou. As informações são da Dow Jones.

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