SÃO PAULO - Apesar de a alta de alguns preços ao consumidor na capital paulista ter perdido fôlego em junho, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostra aceleração em dois grupos importantes, como Despesas Pessoais e Saúde. No primeiro, a inflação subiu de 0,79% em maio para 0,80% em junho, resultado que supera a alta de 0,65% vista na terceira quadrissemana. Em Saúde, a alta foi mais expressiva e saltou de 0,44% na terceira medição para 0,82% no mês de junho, variação também acima dos 0,59% apurados em maio.

Segundo Marcio Nakane, coordenador do índice, a elevação está relacionada a dois fatores sazonais. No caso de Despesas Pessoais, o indicador já captou a inflação dos preços de viagens, devido ao período de férias. Esse item subiu 2,18% em junho. No caso do grupo Saúde, o reajuste dos serviços médicos e e laboratoriais respondeu pela principal fonte de pressão, tendo passado de 0,49% em maio para 1,47% em junho, uma aceleração também perante à terceira semana do mês passado, quando a alta foi de 0,95%.

Para o mês de julho, a Fipe estima que os preços do grupo de Despesas Pessoais terão salto de 1,15% e devem fechar o ano com elevação de 4,5% perante 2007. No caso de Saúde, o reajuste de planos de saúde deve colaborar para uma alta de 1,60% nos preços do grupo, que deve encerrar 2008 com inflação de 6,5%, projeção revisada hoje pela Fundação, que antes estimava alta de 5,8%.

O coordenador destaca no entanto, que os preços dos serviços estão crescendo não só por aumento de custos, mas também por repasses que ocorrem em acompanhamento às expectativas e percepção inflacionária. Os serviços de barbeiro, por exemplo, ficaram 2,33% mais caros de maio para junho. Como a inflação vem forte, o setor de serviços reajusta, porque está tudo aumentando. Mas há uma demanda aceitando tudo isso, diz.

Para Nakane há ainda um resquício de memória inflacionária no país, mas de menor magnitude do que o comportamento observado há 14 anos. Hoje há inércia (mecanismo pela qual inflação passada alimenta a inflação futura), mas comparado há 14 anos ela é extremamente reduzida, diz.

Na avaliação dele, naquela época a atuação do Banco Central não tinha a influência que tem hoje sobre as expectativas de inflação e o controle de preços, amparada pelo regime de metas e pelo comportamento autônomo da autoridade monetária. Tirando o curto prazo e olhando para 2009, vai haver uma desaceleração provavelmente, mas não quer dizer que isso vai cair do céu. Será fruto da atuação do BC.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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