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RIO - O aumento de 8,2% no volume físico de vendas do comércio varejista em julho representou a taxa mensal mais fraca desde abril de 2007, quando houve crescimento de 7,6%. A inflação dos alimentos, que corroeu o poder de compra do brasileiro, conteve o ritmo de elevação das vendas, explicou o IBGE.

O impacto da inflação foi mais sentido no setor de Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que fechou junho com alta de 1,5%, o pior mês de junho desde a queda de 8,6% observada em junho de 2003.

Conseguimos enxergar com nitidez a influência da inflação dos produtos alimentícios. Tudo nos leva a crer que a inflação tenha amortecido o resultado de junho, frisou Reinaldo Pereira, coordenador de Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado de Hiper, supermercados e produtos alimentícios foi o principal responsável pela desaceleração do volume de vendas em relação a igual mês do ano anterior, uma vez que o peso do grupo atingiu 46% do índice total em junho. Em maio, o volume de vendas do grupo havia subido 11,1% frente a maio do ano passado.

O efeito da inflação fica mais evidente quando o volume de vendas é comparado com a receita. enquanto o primeiro avançou 8,2% para o índice cheio, a receita do comércio varejista subiu 15,2% na comparação com junho do ano anterior. A maior discrepância está no grupo de Hiper, supermercados e produtos alimentícios, que teve incremento de receita de 15,6% para uma alta de apenas 1,5% do volume de vendas.

Para Pereira, o resultado semestral do volume de vendas poderia ser ainda melhor caso a inflação não tivesse cobrado seu preço. Entre janeiro e junho, o volume de vendas do comércio subiu 10,6% na comparação com igual período do ano anterior, recorde semestral para a série histórica iniciada em 2001. A marca anterior era um crescimento de 9,8% obtida no primeiro semestre do ano passado.

Na comparação semestral, mais uma vez o grupo de Hiper, supermercados e produtos alimentícios contribuiu para segurar o índice cheio. O setor avançou 5,9% entre janeiro e junho, no pior resultado entre os oito setores analisados pelo IBGE para determinação do volume de vendas. Em termos de receita, no entanto, houve alta de 17,5% para o grupo, enquanto o comércio varejista como um todo cresceu 15,9%. Neste caso, apenas o item Outros artigos de uso pessoal e doméstico registrou alta maior crescimento de receita no semestre, de 26,4%.

Apesar do impacto da inflação em junho, Reinaldo Pereira ponderou que ainda não se pode falar em uma desaceleração do volume de vendas puxada pela alta de preços. O economista lembrou que os dados mais recentes de índices de preços mostram um arrefecimento da pressão inflacionária dos alimentos, além do que o varejo ainda se beneficia da alta da renda, da expansão do crédito e do alongamento dos prazos de pagamento. Todas as variáveis macroeconômicas vêm beneficiando o comércio varejista, afirmou.

(Rafael Rosas | Valor Online)