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Os preços dos alimentos dispararam em março, mas a perda de ritmo no reajuste de itens como mensalidades escolares e combustíveis garantiu uma inflação menor. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de base para a meta do governo, registrou 0,52% em março; em fevereiro havia chegado a 0,78%.

Os preços dos alimentos dispararam em março, mas a perda de ritmo no reajuste de itens como mensalidades escolares e combustíveis garantiu uma inflação menor. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de base para a meta do governo, registrou 0,52% em março; em fevereiro havia chegado a 0,78%. No primeiro trimestre, a inflação oficial acumula alta de 2,06%, a maior variação para o período desde 2003. Com 5,17% em 12 meses, a taxa já ultrapassou o centro da meta de 4,5% fixada pelo Banco Central para este ano. Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que calcula o índice, as pressões sobre os alimentos estão sendo provocadas sobretudo por problemas climáticos, com excesso de calor e de chuva. A coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, destacou uma "inflação generalizada, espalhada" nos produtos alimentícios, que subiram 1,55% em março, ante 0,96% em fevereiro, contribuindo sozinhos com 0,35 ponto porcentual, ou quase 70% da taxa. Ela admite que em alguns produtos, como o leite pasteurizado, o aquecimento da demanda é a justificativa para o aumento de 13,18% acumulado este ano. No primeiro trimestre de 2010, o grupo dos alimentos subiu 3,69% - a maior variação para o período em seis anos e mais do que a alta acumulada em todo o ano passado (3,18%). Especificamente em março, a pressão mais forte ficou com o tomate, que ficou 42,95% mais caro com a queda na produção por causa das intempéries climáticas. A lista de reajustes nesse grupo é extensa e causou preocupação adicional a alguns analistas para a inflação este ano. Tatiana Pinheiro, do banco Santander, elevou a projeção para o IPCA em 2010, de 5,1% para 5,5%, após a divulgação dos dados de março. Ela argumenta que as pressões foram provocadas pelo aquecimento da atividade econômica, que deve prosseguir nos próximos meses, além do reajuste do salário mínimo. Divergências. O economista da Nobel Asset Management Paulo Val também considerou os resultados divulgados ontem preocupantes. "É a confirmação de uma inflação forte e mais espalhada, que fechou o primeiro trimestre com um número muito elevado. Tem havido surpresa sistemática da inflação para cima para este período do ano e isso é realmente um sinal de alerta", observou. Mais otimista em relação aos dados de inflação nos próximos meses está o analista da Tendências Consultoria, Gian Barbosa. Ele destacou que sem a expressiva alta dos alimentos em março, o IPCA não teria ultrapassado 0,22% no mês e avalia que a pressão dos alimentícios vai ceder nos próximos meses. "Não há fundamentos para um patamar tão elevado destes preços", avalia, mantendo a projeção de IPCA no centro da meta em 2010. IGP-DI. A Fundação Getúlio Vargas verificou também desaceleração na inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), que subiu 0,63%, variação bem inferior à de fevereiro, que atingiu 1,09%. Quedas nos preços industriais no atacado, principalmente em açúcar e em combustíveis, contribuíram para uma menor alta de preços. Mesmo com o freio, o impacto dos preços junto ao consumidor ainda preocupa: o núcleo da inflação varejista, termômetro para tendências futuras da inflação, atingiu o mais elevado nível dos últimos cinco anos para um mês de março, alta de 0,42% (0,41% em fevereiro). Atacado e varejo. Na prática, o mês de março mostrou dois movimentos em direção contrária. Por um lado, houve forte desaceleração no aumento dos preços no atacado (de 1,38% para 0,52%), de fevereiro para março. Ao mesmo tempo, no varejo, os preços aceleraram (de 0,68% para 0,86%), assim como o núcleo, calculado a partir da exclusão das mais expressivas altas e das mais importantes quedas de preço. Para Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da FGV, o aquecimento da economia brasileira tem ditado o ritmo de aceleração da inflação varejista. Até março, o índice acumula alta de 2,26%. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>
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