Ribeirão Preto, 24 - A Infinity Bio-Energy Brasil, controladora de cinco unidades sucroalcooleiras no País, prepara um aumento de capital de R$ 180 milhões, operação a ser avaliada em assembleia geral extraordinária de acionistas em 22 de março. Um comunicado divulgado pela empresa no Diário Oficial do Estado de São Paulo de ontem dá sinais de que o aumento de capital faz parte do processo de venda de suas unidades sucroalcooleiras, possivelmente a Usina Naviraí (Usinavi), o que já era previsto.

A companhia, que aprovou em 16 de dezembro de 2009 o plano de recuperação judicial, não quis comentar a operação.

Os R$ 180 milhões de aumento de capital propostos pela Infinity correspondem ao valor líquido que a companhia pretende receber pela venda da Usinavi, ou ainda a ser obtido por meio de um empréstimo, pelo qual a usina seria dada como garantia. No plano de recuperação judicial, a Infinity informa que o possível comprador da Usinavi assumiria a dívida da unidade, bem como os recursos captados com a venda seriam destinados a investimentos no grupo sucroalcooleiro. A Usinavi foi a única das cinco controladas pela Infinity que não foi dada como garantia aos credores que aprovaram o plano.

Outra informação no comunicado dá a entender que a venda da Usinavi está próxima. A Infinity diz que "o presente anúncio é válido para fins do início da contagem do prazo para o exercício do direito de preferência", ou seja, para que um sócio cubra alguma proposta de compra feita pela sua participação.

A Usinavi foi avaliada em R$ 360 milhões, incluindo a unidade processadora, outros ativos e um total de 35 mil hectares em terras com cana. A usina tem capacidade de moagem de 3,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, é a maior unidade industrial da Infinity no País e foi a primeira adquirida pela companhia, em setembro de 2006. Antes mesmo da aprovação da recuperação judicial, a Infinity já negociava a venda da usina.

Além da Usinavi, a Infinity criou um polo nas divisas de Minas, Bahia e Espírito Santo, com três unidades em operação - Alcana, Cridasa e Disa - e ainda possui a Usina Paraíso, em São Sebastião do Paraíso (MG). A venda de alguma dessas usinas também pode ocorrer. Com uma dívida de R$ 981,3 milhões, a Infinity recebeu, na aprovação do plano de recuperação, empréstimo de R$ 20 milhões para capital de giro, feito pelos bancos Bradesco e Santander. Além de uma reestruturação e da venda de ativos, o plano previa o pagamento de dívidas de valores iguais ou inferiores a R$ 1,5 mil logo após a homologação do acordo.

Os credores com garantias reais serão pagos em dez anos, com o desembolso previsto para começar cinco anos após a homologação judicial. Os credores trabalhistas devem ser pagos em até um ano. Para os credores que não possuem garantias, está previsto desconto de 50% no valor dos créditos e opção pelo recebimento em dez anos e meio, ou em cronograma de pagamentos mensais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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