SÃO PAULO - Duas de cada três indústrias brasileiras que concorrem com produtos importados perderam participação no mercado local devido à forte desvalorização do dólar em relação ao real. Além disso, 50% das exportadoras perderam mercado externo ou pararam de exportar. As informações constam da sondagem sobre os efeitos do câmbio valorizado na indústria nacional, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) entre os dias 26 de julho a 6 de agosto. O levantamento contou com a participação de 1.564 empresas industriais de todos os portes.

De acordo com o estudo, 37% das indústrias locais sofrem os efeitos da concorrência de produtos estrangeiros. Esse percentual é de 46% entre as grandes empresas e de 44% entre as médias. Dentre as que concorrem com os importados, 67% afirmam ter perdido participação doméstica. As que sofrem mais são as de pequeno porte, onde 74% perdem mercado. Nas de médio porte, as que sofrem esse efeito somam 67% e, entre as grandes, são 49% as prejudicadas.

Embora os efeitos do câmbio valorizado possam ser sentidos de modo heterogêneo, no mercado interno a luta com os importados é mais forte para os setores de vestuário, calçadista e de equipamentos hospitalares e de precisão. Nessas áreas a CNI afirma que 60% das empresas concorrem com importados. Dentro desse grupo 75% perde mercado para os importados.

De acordo com a Confederação, para continuarem disputando o mercado, 91% das empresas que sofrem essa concorrência com importados lançam mão de estratégias para continuarem atuando, principalmente com redução de custos (50%), e investimento em qualidade ou design (35%). Mas também reduzem margem de lucro (34%). Esse último recurso é usado por 38% das indústrias de pequeno porte e por 35% das de médio porte. Entre as grandes empresas essa fatia é de 20%.

A pesquisa revela ainda que as desvantagens criadas pelo dólar barato também prejudicaram bastante as exportadoras. A CNI afirma que das empresas brasileiras que vendem seus produtos ao exterior (hoje em 38% do total nacional), 50% deixaram de exportar ou perderam participação lá fora. Apenas entre as grandes empresas, o resultado é um pouco menos desfavorável: abarca 38% das empresas.

As companhias de médio porte são as que mais se ressentem: 6% delas pararam de vender no exterior nos últimos 12 meses e 46% reportaram perda de participação. Para remediar esse quadro, 78% das exportadoras afetadas tomam alguma medida. As mais freqüentes são redução de custos (adotada por 48% delas) e a busca de novos mercados (42%).

O efeito do dólar barato também desencadeou o aumento do consumo de insumos importados, o que afeta as fabricantes locais. De acordo com a Sondagem, embora 46% das indústrias locais já usassem os importados antes de 2007, desde então outras 6% passaram a importar esse insumos. Outras 16% estudam essa possibilidade atualmente.

Essa estratégia vem sendo adotada com mais freqüência entre aquelas companhias que perderam mercado doméstico para importados. Nesse caso, 12% passaram a importar insumos a partir de 2007, quando o dólar acentuou a baixa frente ao real. No grupo de exportadoras que sofrem perda de mercado internacional, 9% adotaram essa iniciativa.

Dentre as companhias que importam insumos, 47% pretendem fazer novas substituições por importados. Essa intenção é mais freqüente justamente nos setores mais prejudicados pelo dólar fraco: Têxteis; Vestuário; Couro; Madeira; Química; Plástico; Material eletrônico e de comunicação e Equipamentos hospitalares e de precisão. Outros 16% de companhias que ainda não importam insumos, planejam fazê-lo.

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